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Louca/Estranha/Anormal/Distante/Fria/Egocêntrica E muitas outras mais... Autora de Angelus, Tokyo Revivers e A Cor da Lágrima, codinome: Horigome Namika
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sábado, 31 de julho de 2010

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Com exceção de Lena, as outras mulheres no palácio pareciam tristes ou esgotadas, inclusive a Rainha. Agatha teve o descontentamento de ser acordada muito cedo, oq ue a desagradou muito, afina, não pregara os olhos. E o mesmo pivô de sua insônia foi também a razão da falta de ânimo e humor.

Vestiu com indolência a roupa de equitação e desceu as escadas com a maior falta de vontade possível. Foi recebida no saguão do palácio por dois lacaios que acompanhavam seu senhor, o lorde Van Buailt.

Pela primeira vez, prestou atenção no homem com quem iria se casar: pele macilenta, cabelos negros e levemente ondulados, barba longa, olhar escuro, olheiras profundas. Tudo em seu visual lhe conferia ar misterioso e sombrio, pra não dizer nefasto.

O lorde beijou-lhe as mãos e a conduziu para o exterior do palácio, onde dois cavalos absurdamente grandes, um negro e um branco, os esperavam. Montaram cada um no seu e prosseguiram com o passeio.

Lorde Van Buailt, Agatha logo percebey, não era muito de falar. Às pouquíssimas vezes que a princesa lhe dirigiu a palavra, ele respondia com um pigarro ou quando muito, com palavras monossilábicas.

Chegaram enfim, à sombra de uma árvore onde amarraram as montarias. Uns passos adiante, havia uma toalha com algumas cestas recheadas de comida: frutas, bolos, chás, biscoitos, geleias, queijos, pães, tortas…

- A Rainha disse-me que prefere chá de hibiscos silvestres – disse o lorde, tentando arrancar uma palavra da noiva – Mandei preparar o desjejum pra você. Não vai comer?

Agatha apenas resmungou. O lorde parecia não ouvir e continuou.

- Você sabe o que isso significa?

Novamente Agatha respondeu com um resmungo. Lorde Van Buailt prosseguiu:

- Daqui a três anos vamos nos casar, seremos coroados… Você me dará herdeiros e os criará para que assumam um dia esse trono! Creio que essa foi a escolha mais sensata da Rainha ao me escolher para essa missão.

- O que passa na sua cabeça em se casar com uma garota muito mais nova que você? Aliás, o que se passou na cabeça da minha mãe pra te escolher?

- Como já salientei, sou a escolha perfeita!

- DIMITRI ERA A MELHOR ESCOLHA! – gritou Agatha.

O Lorde ergueu sua mão, que parou a poucos centímetros do rosto da princesa. Depois, ponderou melhor e desistiu da ideia.

- Você é uma princesa e a sua obrigação é servir ao Reino! E quando for minha esposa, me obedecerá acima de qualquer coisa!

O lorde segurou a outra mão para segurar Agatha. Aproveitando-se disto, forçou um beijo. Agatha se desvencilhando de novo, jogando uma jarra de suco em sua cabeça e correu para mais longe que pôde.

Van Buailt levantou-se rapidamente e puxou pelos cabelos, prendendo-na entre os braços e forçando um segundo beijo. Desta vez, Agatha mordeu os lábios dele com grande força, seguido de um golpe baixo.

O noivo estava mais preocupado com os lábios machucados que com Agatha, por isso, deixou-a fugir.

- É uma égua baia, mas vou domá-la nem que essa seja a última coisa que eu faça!

Nas semanas subsequentes, Agatha sempre pedia a ajuda de Vicky Valentine para acompanhá-la durante os encontros com Lorde Van Buailt. Ele não tentara mais nada contra a dignidade da princesa e se reservava a fazer perguntas desnecessárias e proferir palavras hostis.

Nunca em sua vida, nem mesmo quando não passava de uma princesa inútil, se sentira tão infeliz. Fazendo algo que era forçada! E sua mãe? Porque não lhe consultara? Por que não entregou sua mão a Dimitri?

Vicky passava os dias com menos emoções em sua vida… Sem encrencas, dívidas de bar, prisão, trapaças… No entanto, seu corpo necessitava desse descanso… e sua boca necessitava a dele…

Fazia uma bela noite aquela, mas a temperatura que a incomodava seu sono. A brisa acerca da fonte lhe parecia uma boa ideia.

- O que faz aqui? – perguntou Vicky à sombra que se aproximava.

- Precisava te ver mais uma vez! – respondeu Dimitri. Deu uma longa passada para tentar beijar-lhe a boca.

- Esquece! Vários já esqueceram de mim… garanto que você vai conseguir também!

- E você acha que eu não tento isso todos os dias? Me sinto culpado quando olho pra este anel! Quando olho pra Lara!

- Você é uma pessoa desprezível.

Dimitri fez cara de surpresa. Como um homem tão leal que nem ele poderia ser considerado desprezível?

- Não vê que está fazendo três mulheres sofrerem ao mesmo tempo?

- Como?

- A Rainha iria escolhê-lo para casar-se com a Agatha! E acabou preferindo aquele lorde idiota… e graças a isso, Agatha está sofrendo imensamente.

- Não seja hipócrita Vicky! Agatha é como, como uma ir…

- ELA SEMPRE TE AMOU, SEU RETARDADO!

- Mas… mas… mas… você, eu… você não me deixaria casar com ela…

- É claro que sim! – afirmou Vicky, com lágrimas nos olhos – eu não sou nada sua!

Vicky beijou Dimitri ardorosamente;

- Eu te amo, mas vou te esquecer nem que isso custe a minha vida.

Uma sombra moveu-se entre os arbustos. Aos olhos rápidos de Vicky, a criatura assustada fora facilmente reconhecida pelo simples fato de ter cabelos vermelhos.

Tamanha era sua apatia e reclusão nos últimos dias, que nenhum serviçal ousava incomodar a princesa. Agatha entrou correndo pelo palácio, estupidamente cega a ponto de derrubar um criado levando louças a serem limpas. Não sabia exatamente aonde iria, corria sem rumo, entrando de porta em porta como se o gigantesco castelo não fosse grande o bastante para suprimir sua raiva.

Entre as portas e passagens ocultas, entrou num cômodo onde jamais pisara. Escuro e mal iluminado, exceto por um pequeno feixe de luz azul. Ali ficou a chorar e a maldizer Vicky, Dimitri, sua mãe, lorde… Todos conspirando contra a sua felicidade. Todos traindo e escarnecendo dela.

- Você está me pedindo demais! – esbravejou uma voz conhecida. Agatha escutara tanto essa voz, que na primeira palavra a reconheceu – Uma Rainha jamais se curvará a isso, muito menos quando isso envolve sua própria filha.

Agatha aos poucos se aproximou da fresta onde o feixe de luz irradiava. A voz ficou mais nítida e ela pôde identificar mais duas:

- Covarde! Como ousas chantagear Vossa Majestade! – Agatha ouviu uma voz grossa e imponente. Era a de seu tio Thales.

- Rainha? – a terceira voz se assemelhava com um sibilo ameaçador – Não tem o nosso sangue real! O Reino não precisa de uma Rainha devassa , que mantém um caso amoroso com um de seus generais… sendo o mesmo irmão de seu esposo, o Rei por direito.

Agatha ficou estupefata. Então a mãe estava enamorada de Thales? Aquilo não lhe soava tão estranho. Talvez fosse coisa de família que as mulheres se apaixonassem por seus protetores. Mas, teria Amélia sido tão egoísta a ponto de vender a felicidade de sua filha em troca da pureza de sua imagem?

- Não vou forçá-la a gostar do senhor, lorde Van Buailt – replicou a mãe – Já cedi a chantagens demais de sua parte!

- E o que o Reino vai pensar quando souber que sua matriarca, sua Rainha, a dama mais respeitada do país, foi na verdade, uma mentirosa?

- Desista Van Buailt… – disse Thales – A Rainha já disse que não se importará se você revelar a todos o nosso… relacionamento.

- Sabemos que eu não falo deste assunto, general Braus… As coisas são muito mais graves, não concorda Vossa Majestade?

Amélia caiu no choro, sendo amparada por Thales. Enquanto soluçava, o lorde exibia uma feição tranquila e triunfante. A princesa já não aguentava mais: era a primeira vez que ela vira a mãe, símbolo de força do país, cair em desespero e desilusão.

- Imagina o que ocorrerá ao reino, ao povo, ao parlamento, quando vir à tona toda a verdade?

- Páre! Páre! – pediu a Rainha, aos prantos – Por favor!

- … A verdade que todos desconfiavam mas sempre tiveram receio de perguntar…

- CALE-SE BUAILT! – ordenou Thales.

- … Que a princesa Agatha não possui o sangue real da nossa pátria…

Silêncio. A porta abriu-se e do outro lado, parada, uma jovem princesa, cujo coração caiu em desespero pela segunda vez naquela noite.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

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UMA DOSE DE BOURBON – A ESTÓRIA DE VICKY VALENTINE
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A ardente loira abriu os olhos, passou a mão pela cama e, constatando que sua companhia já não estava ali, procurou sair o mais rápido possível. Observou pelo canto do olho um papel dobrado em cima do criado-mudo. Fez uma leitura dinâmica, e sorriu.
Não estava acostumada a receber tratamento como aquele no Reino Suspenso do Ar. Mas sua alma ansiava por algum tipo de aventura, uma real necessidade tal qual necessitava respirar.
O poente anunciava-lhe a hora de sair. Ali tinha muito mais que precisava. Faria algo que raras vezes se dispusera a fazer por vários fatores, em grande parte financeiros.
A animada casa de dança tinha um nível muito maior das quais sempre frequentava. Mas naquela noite, Vicky Valentine estava ali puramente por diversão.
Ambiente bem iluminado, gente jovem e culta conversando ou dançando o agradável folk-rock. Vicky olhou para os lados, procurando um lugar entre os vários frequentadores.
- Senhorita Valentine, aqui por favor! – Vicky fora puxada por alguém, que logo identificou como uma das damas de companhia do palácio.
A criada acomodou Vicky numa grande mesa de madeira clara onde vários bebiam bourbon, whisky e soda. Dentre todos, um casal parecia especialmente iluminado: uma moça de cabelos negros e ondulados e grande sorriso nos lábios; o outro, um rapaz de cabelos arroxeados e expressão cansada mas não descontente. Reconheceu-o rapidamente pelas amplas memórias: indiscutivelmente o homem que estava ali era o mesmo do porta-retrato no quarto de Agatha Tess.
A noite caía e apenas permaneciam os bebedores assíduos do bourbon, da cerveja e da vodca. A mesa, inicialmente com vinte ou trinta pessoas, àquela hora contava apenas com duas pessoas, além de Vicky e do casal. Não mais folk-rock, entretanto ouviam jazz os bêbados desafortunados.
A outra, que se chamava Lara, queixou-se do cansaço a Dimitri:
- Quero ir-me embora, meu bem!
Dimitri, mesmo parecendo exausto, não quis ir embora para o descontentamento de Lara. Então, pediu a um dos camaradas para levá-la em casa.
- Você não vem? – insistiu Lara, ao despedir-se de Dimitri – Hein?
O rapaz balançou a cabeça negativamente.
- Não quero ir agora. Vai com Bruno. – respondeu secamente, voltando a beber mais um drink.
Meia hora depois, o outro amigo deu adeus e já muito bêbado, cambaleou para casa. Àquela hora, o clube já esvaziara a ponto de sobrar uns poucos boêmios. Na mesa, permaneceram apenas Vicky, na sétima ou oitva dose de bebida, e um Dimitri levemente embriagado.
- Quer dançar? – convidou Dimitri, quando a banda iniciou um jazz melancólico.
Alguma coisa estava presente na atmosfera ocre do bar. As notas tristemente melódicas os envolveram a tal ponto de não se distinguirem e transformarem-nos em simples amantes das noites boêmias. Dimitri sentiu a necessidade de tê-la ali, fato que não podia, mas o fez. Ele a trouxe para junto de si e abraçou-lhe com a força viril do soldado que sempre fora. Depois estalou-lhe um beijo profundo em seus lábios. A música cessou e o soldado despertou daquele transe, da overdose de testosterona que sofrera. Porém, foi a vez da garota beijá-lo.
A ardente loira abriu os olhos, passou a mão pela cama e, constatando que sua companhia já não estava ali, procurou sair o mais rápido possível. Observou pelo canto do olho um papel dobrado em cima do criado-mudo. Fez uma leitura dinâmica, e sorriu. Em poucos instantes, sua mão amassou o papel, o rosto mudou de semblante, e ela atingiu a porta com a pequena bola de papel, amaldiçoando o dia em que fora pega em sua própria armadilha.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sua missão havia terminado ali. Logo aquilo que havia aceitado apenas por obra do acaso, para que sua mãe não soubesse o que ela andara aprontando durante a “viagem”.
Mas agora era tempo de voltar pra casa e deixar-se abraçar pelos braços calorosos de mãe. Seus dezoito anos estavam se aproximando, e querendo ou não, era a hora da sociedade conhecer verdadeiramente sua princesa.
- Você nos mandará os convites não é Agatha? – cobrou Vicky dando uma piscadela, antes de tomar sua condução.
- Se eu souber onde te encontrar, sim! – respondeu a jovem. Não saberia aonde encontrar a ladra. Provavelmente em algum lugar do país aplicando golpes.
- Nem sei como agradecê-la – despediu-se com um abraço Lena. Ela voltaria à sua aldeia a fim de estudar para o exame de admissão à Universidade. Provavelmente apareceria algumas semanas antes do Baile de Apresentação da Princesa.

Assim, partiram as três, cada uma para o seu lado, em breve voltariam a se encontrar…

- Minha Agatha! – saudou a mãe, abraçando-na fortemente, com a força ao nível da saudade que sentira – Você está bem, se machucou? Céus! Você está imunda! E esses trapos…
Agatha mal teve tempo de dizer algo, tamanha era a saudade que sentia da mãe e daquele palácio, mas não da vida que levava quando ainda era uma princesa ignorante. Não… definitivamente era uma pessoa completamente diferente daquela que um dia partira daquele reino, deixando para trás toda a segurança e felicidade que falsamente sentira durante quase dezoito anos…

Aquele palácio chamava-se Palácio de Cristal. Trabalhado em vidro que refletia a luminosidade recebida pelos raios de sol que permeavam o Reino Suspenso do Ar. Também era chamado de Fortaleza Suspensa, pois essa era a impressão que tinha-se ali, nas nuvens brancas que serviam de mãe praquele país. Por todos esses motivos, sempre se sentira mais deusa que todos os outros… e por aquele e mais outros que nunca recebera um olhar daquela pessoa como gostaria de receber.
- Fui avisado do retorno de Vossa Alteza, gostaria de me ver o mais rá… – Dimitri parou imediatamento ao perceber em que tipo de recinto estava… uma névoa tão doce e aromática invadira-lhe os pulmões… as várias amas envolvendo-na com toalhas brancas e felpudas. No centro de uma grande piscina de água borbulhante, ela estava lá. Tão branca. Tão intocada. Tão pura.
Com um gesto dispensou as criadas e com outro fez sinal para que o rapaz de gostos finos se aproximasse. Visivelmente constrangido, Dimitri se aproximou dela, mas fitava seus pés o tempo todo.
- Se Vossa Alteza preferir, eu aguardo o término de seu banho terapêutico.
- Pare de ser bobo! – interrompeu Agatha – Eu não estou completamente nua! Além disso, lembra quando nós tomávamos banho escondido no Rio das…
- Mesmo assim Vossa Alteza, devo demonstrar respeito para com a …
- Humpf – resmungou Agatha, incomumente à sua maneira sempre polida de pronunciar-se. Não lhe agradava a formalidade que envolvia os dois. Aquilo a constrangia mais que tudo.
- Como foi a viagem?
- Interessante. – respondeu Agatha – Acho que foi bastante… instrutiva.
- Vossa Alteza procurou o que queria?
- Talvez. – respondeu Agatha vagamente. Não queria contar todos os detalhes a Dimitri, mesmo que ele fosse fiel à sua pessoa até a morte. Mesmo assim, a jovem não estava sendo hipócrita consigo mesma. De fato, Agatha não conseguira encontrar a resposta para a crise em si mesma, mas o que seus olhos viram durante sua “peregrinação” definitivamente a ajudaram a ser uma pessoa melhor. – Eu… eu acho que não estou pronta pra ser Rainha… não ainda.
- Entendi. Com sua licença…
- Espere! – pediu Agatha, antes que o jovem girasse seus calcanhares.
Dimitri parou aonde estava e sequer se mexeu. A princesa adivinhara por seus olhos o que transparecia e quase saltava como palavras. Então, ela notara…
- Não quero lhe revelar isso… não, até o Baile. – respondeu Dimitri, sem maiores explicações.
Ela suspirou, e quando tentou encontrar sua figura, ela já havia se dissipado entre a névoa.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

      Sentiu-se um tremor. Mas não era a atmosfera criptante de guerra, nem os ventos gelados que cortavam aquela terra.
      Velas negras e bandeira flamejante. Assim surgira a fragata do Império do Fogo pelo frio oceano glacial, cuja proa só era possível ver um tripulante: Oliver Gardner. Rasgou o gelo como se rasga uma folha de papel.
     Pela rampa do navio, o Príncipe foi o primeiro a descer. Vestia sua armadura e não trazia à mão nenhuma arma, exceto um bastão. Os homens, seus comandados, estes sim, vinham armados até os dentes. E mesmo com a desordem dentro do quartel general, os soldados desciam calmamente, como se estivessem num desfile militar.
      - Matem a todos estes desordeiros! - ordenou Oliver - E eu mesmo quero cortar a cabeça do líder!
      
     Por debaixo da capa de tecido grosseiro, trajava as roupas brancas com lilás, o único indício de sua verdadeira natureza. Apesar dos inúmeros avisos, também fazia parte de sua personalidade misericordiosa ajudar os outros quando necessitavam de sua ajuda. E assim, Agatha Tess infiltrou-se entre os soldados, ajudando-os a invadir o Quartel.
    - Agatha! - gritou Lena Brown, a primeira a reconhecê-la - Não deveria estar aqui! Julian foi bem claro.
     Não precisou que Julian dissesse nada, afinal, ele apareceu logo depois, quando desviara de ataques dos soldados. O objetivo era próximo, só mais alguns metros, e eles chegaram à sala central, onde a vitória seria, enfim, decretada.
    - Chefe! - berrou um aliado. Entrara desesperado, chorando como se não estivessem à beira da vitória - Está tudo perdido chefe! O Príncipe chegou com a Marinha Imperial! Mais de mil homens.
    O sorriso transformou-se em uma momentânea desolação, que fora substituída por uma sede de luta. Julian passou por entre os aliados, disposto a ir lá fora e enfrentar ele mesmo, o maldoso Príncipe estrangeiro.

    Agatha saiu à francesa, antes que Lena ou Julian a repreendessem de estar ali. Ela, que não tinha grandes habilidades de luta, ajudava os soldados feridos, de forma a não deixá-los para trás. Nada ouvira da notícia de estarem os soldados inimigos lá. Mas também desceu ao exterior do quartel, pois a maioria dos soldados estava lá.
     O que viu não foi nada animador. Centenas de homens representando o Império do Fogo e dezenas de aliados seus, caídos no chão, ou muito feridos ou mortos. Talvez nenhum pensamento lhe passou pela cabeça, apenas saíra correndo, onde, num clareira formada pelas batalhas individuais travadas, a melhor delas se esboçava. De um lado, um soldado do Fogo com insígnias brilhantes em seu uniforme. Do outro, um rapaz cuja face era marcada por queimaduras e escoriações. Ao redor deles, cada homem travava sua batalha, deixando aquele espaço, uma outra dimensão entre os dois adversários.
     Quando a garota chegou, só pôde ver uma grande labareda de fogo saída das mãos do nobre e atingindo o tórax de Julian em cheio.
    - Julian! Julian! Fale comigo por favor! Julian!
    - Não adianta chorar, garota! - disse-lhe o oponente - Morrerá dentre poucas horas!
     Aquela voz. Não, não poderia ser. Tirara o capuz que envolvia-lhe o rosto, e quando olhou para ele, não foi com temor, como na última vez, mas com um misto de pena e raiva.
     Oliver pareceu também ficar surpreso. Olhava abismado para Agatha, não com medo, mas... com espanto.
     - Não pode ser! Não pode ser! - repetia Oliver com tanta enfâse, para acreditar - Como você está viva? Caiu do céu... e ainda vive?!?!
     Das mãos de Oliver saiu mais uma labareda, que Agatha apenas pôde desviar. A princesa rolou pelo chão, esbarrando num corpo de um soldado do Fogo, agonizando de dor. Levantou-se rapidamente e, unindo a ponta do indicador com o outro, conseguiu revidar, criando uma rajada de fogo mais forte ainda que a de Oliver. 
     Enquanto o Príncipe reagia embasbacado por ser emboscado por uma garota, Julian se levantou. Sacou a espada da bainha e tentou atacar Oliver, que bloqueou usando seu bastão.
     - Você não vai machucar a Princesa, Oliver! - ameaçou Julian - Se não, vou ter que tirar sua vida aqui mesmo!
     Julian empurrou com seu bastão o oponente que caíra mais uma vez. Agatha aproveitou a brecha para saltar e atingir Oliver com suas unhas.
    - Dizem que quando se mata alguém da família real, as almas atormentam nosso sono à noite! Será verdade?
      
     O ar mais uma vez tremulou. Fortes rajadas do vento frio invadiram o campo de batalha; renovou-se o espírito de luta dos guerreiros. Os cavalos brancos, alados e gigantes abriram espaço bem no combate. Era muitos, incontáveis, muito mais de mil. Os homens usavam roupas brancas e lilás com armadura ouro e prata. As mulheres, arqueiras, idem, e ainda usavam um capacete de um azul muito intenso.
   - Cabeças...de...ágata? - murmurava Agatha - Isso... Dimitri!!
   Montado num cavalo prateado, vinha o comandante daquela tropa: Dimitri Braus.
   -Tire suas mãos imundas da Princesa do Meu Reino, Oliver!
   Agatha foi atirada para trás. Caiu quase por cima de Julian, que ainda se arrastava.
   - Muita petulância sua, infante! - provocou Oliver.
   - Você perdeu Oliver! Entregue as Geleiras ao povo em paz e eu deixo que você volte pro seu navio com seus subordinados e seus mortos!
    - Jamais sem lutar!
   Oliver nem mesmo chegou a atacá-lo. O Prícipe foi arrastado pela multidão de soldados remanescentes e praticamente empurrado de volta ao navio. Ainda se ouviu gritos de advertência e ameças de punição vindos de Oliver, mas se tornavam distantes à medida em que a fragata de Velas Negras se afastava definitivamente das Geleiras.

   A madrugada foi dedicada para cuidar dos feridos, inclusive Julian, pois na manhã, os guerreiros do Ar seriam homenageados com um grande café da manhã.
   - Por que vocês vieram Dimitri? Como me acharam?
   - Vossa Majestade Sua Mãe estava muito preocupada com Vossa Alteza depois do ocorrido no Templo do Sul. Fui encarregado de achá-la.
   - Não quero voltar Dimitri, deixei isso bem claro pra mamãe.
    - Mas Vossa Majestade sequer pode dar as costas que Vossa Alteza decide fazer uma revolução nas Geleiras? Mais cedo informei à Vossa Majestade que estava pensando em ir à República da Terra. Continua com essa vontade?
    Agatha ficou pensativa. Tinha que cumprir sua promessa à Lena, mas se revelasse seus planos a Dimitri, com certeza ele a arrastaria de volta para casa. Confimou com um vacilante aceno.
   - Ótimo. A Rainha me pediu para entregar-lhe isso. É um pergaminho para ser entregue ao Rei da República da Terra,  Rei, não aos cônsules.
   A manhã nascera bela e brilhante, como nenhuma outra manhã. Aquela seria a primeira manhã das Geleiras livres do Império do Fogo.
    - Me perdoe Minha Princesa, por não ter te protegido! - desculpou-se Julian - Se algo tivesse acontecido com Sua Alteza, jamais teria me perdoado.
     Agatha desculpou-o com um breve sorriso.Terminara seu dever, agora era a hora de partir.
    - Coronel Braus, estou lisonjeado com sua ajuda! As Geleiras são infinitamente gratas ao Reino Suspenso do Ar.
    - Somos aliados! O Império do Fogo é nosso inimigo maior agora.

    Chegara a hora da despedida. Os soldados do Reino do Ar já haviam ido. Lena e Agatha, já arrumadas suas coisas, partiriam de navio para tentar entrar no Império do Fogo. Antes, no cais, a imagem do herói da revolução esperava por Agatha.
    - Eu lhe disse Minha Princesa! Que sua ajuda seria muito útil para a nossa causa.
    - Acho que eu que deveria lhe agradecer Julian. Graças a vocês, agora começo a entender o papel de uma Princesa.
     - Obrigado, Princesa...
   - Mas acho que você deveria pensar nisso também, afinal, já que conquistou a Geleira do Sul, nada mais justo que...
   - Não posso ser o Rei dessa Geleira, Princesa... A família real da Água ainda existe e mesmo assim... Os reis e rainhas descendem dos deuses Ar, Água, Fogo e Terra. Eu não tenho tal descendência!
   Agatha balançou a cabeça tristemente.
   - Mas se um dia... se eu unificar todo o Reino da Água novamente... queria ter Vossa Alteza ao meu lado.
    Julian se inclinou para alcançar os lábios rosados dela, mas a Princesa apenas deixou-lhe que beijasse seu rosto.
    - Não espere por uma Princesa Amaldiçoada!

   O navio mercante partiu levando duas jovens clandestinas rumo ao Império do Fogo. Mas não iriam lá para conseguir esmolas dos cidadãos, mas sim para cumprir uma promessa.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Cap. 7 Partida

         Agatha já estava no seu segundo prato de mingau de aveia. Segundo Lena Brown, a mulher que a salvara, estava há três dias desacordada. Era-lhe grata, afinal, as escoriações de seu corpo causadas pela queda já estavam quase sarando.
      - Quem é você? De verdade?
     - Acho melhor você não saber, Lena! - Agatha fugira da pergunta - Pode trazer problemas pra você.
     Agatha analisou mais uma vez a casa. Era a menos pior do que as que sua vista pela janela pôde notar, mas mesmo assim, não passava de um pequeno e sujo casebre. O pai, pescador, já começava a dar sinais de perda da sanidade e constantemente resmungava de sua má sorte, dos deuses, da família real da Água, do Exército do Império do Fogo... A casa só conhecia a limpeza quando a filha voltava do trabalho, no lado leste das Geleiras. No mais, exalava aquele terrível e já permanente odor de peixe. 
     - Acaso está fugindo, Alteza? - perguntou Lena, de sopetão. Agatha paralisou a colher de mingau no ar, estupefata.
     - Por que mexeu nas minhas coisas Lena? Eu não permito que você faça isso, entendeu?
      Lena entendeu que agira errado. Levantou-se da mesa e prostrou-se ante a princesa.
      Agatha também se levantou. Mas aquele gesto, que deveria ser algo comum a uma Princesa, era  algo que lhe incomodava profundamente.
       - Levante-se Lena, por favor!
     - Se prefere assim, Vossa Alteza! - Lena se levantou humildemente, mas ainda continuava com a cabeça baixa.
        - Perdoe-me Lena, eu... eu me expressei muito mal. Na verdade, eu não queria que ninguém soubesse da minha existência por aqui.
     - E por que não Alteza? Vosso Reino é famoso no mundo por ser justo e por combater o Exército do Fogo.
    - Lena, por favor... me chame apenas de Agatha. Saí do palácio justamente por isso. Cansei de ser uma princesa inútil que nem ao menos conhece seu povo! E o povo que por sua vez nem conhece sua própria Princesa! 
     - Imagino que deve ser um choque de realidade, Alte... Agatha!
      Agatha olhou com pena para toda aquela pobreza. O Reino da Água sucumbiu graças à incompetência da Família Real. E se ela fosse incompetente também? Deixaria seu povo sofrer sob as mãos do Imperador do Fogo.
      - Ao menos sabe pra onde vai? - perguntou Lena à Agatha - quando esta já arrumava a bolsa de viagem.
      - Não faço ideia...

      - Avisou seu pai que deixaria a Vila?
      - Deixei um bilhete... Mas creio que ele não tomará partido nisso.
       Agatha olhou com tristeza. Sabia que o sr. Brown estava doente e aos poucos perderia sua sanidade. Lena pareceu adivinhar os pensamentos dela.
        - Há muito precisava sair da Vila da Cascata, mas não tive coragem de fazer isso! - justificou Lena - Meu pai está muito doente, perde o juízo aos poucos... É por isso que eu preciso estudar! Tenho que entrar numa Universidade e ser uma médica.
        A Vila da Cascata... A família Brown... O Reino da Água...  O abandono de tudo. O Reino sucumbira pela covardia de seus governantes. O povo abandonado, entregue à própria sorte. E Lena Brown... a mulher mais inteligente daquela vila, se esforçando pra que se, não conseguindo salvar a vida do pai, ao menos salvar a vida daquele povo inocente, que pagava todo o preço pela ingerência da elite.
     - Mas antes de tentar entrar na Universidade... Preciso fazer uma coisa...
      Lena contou à Princesa a história de sua família. Quando a irmã, Angeline, partira, o pai teve razão. Ela partira da Vila para se tornar uma prostituta nos acampamentos do Exército. Mas não por muito tempo.
       - Ela me escreveu contando que havia conhecido um tenente do Exército e que se casaria com ele. Meu pai, é claro, ficou com mais raiva da minha irmã. Eu recebi mais duas ou três cartas dela, antes do papai descobrir e queimar todas as cartas que eu recebia dela.
        Então a meta de Lena era encontrar a irmã. O motivo era óbvio. Ao pai não restaria muito tempo de vida, pelo menos unir a família era um direito dele.
        Agatha se sentiu no dever de ajudá-la. Afinal, Lena salvara-lhe a vida, nada mais justo que dar a ela um pouco de felicidade.
         
        As duas jovens partiram ao pôr-do-sol sob desejos de boa sorte da Vila. Toda aquela vila apostava no sucesso daquela menina, e colocava sob suas mãos, vidas que poderiam ter sido salvas.

      A sede do Reino Suspenso do Ar ficava no alto daquelas nuvens brancas e fofas. Erguia-se majestoso como um obelisco cristalino nos céus cercado de campos verdejantes apoiado nas nuvens. 
       O garoto de cabelos arroxeados se aproximava do Palácio das Nuvens com passos firmes e determinados. Ao chegar no Salão Real, cumprimentou a Soberana, às voltas com montes de papéis.
        - Majestade... - anunciou-se.
        - Ah, Dimitri, que bom te ver!
      - Igualmente Majestade! - retribuiu o garoto - Lamento não ter vindo antes, estava em missão no leste.
      - O assunto que te traz aqui é extremamente... preocupante.
         Dimitri Braus franziu a testa. 
        -  Registramos um atentado no Templo das Nuvens do Sul. E... e... bem... - sua voz perdeu o imponente tom, assumindo um tom maternalmente preocupado - Agatha não dá notícias há dias... Eu temo... temo...
         - Não tema, Minha Rainha! - tranquilizou-a Dimitri - Apenas me forneça alguns homens, que procuraremos Agatha até o fim do mundo.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

           Milhares de garotas, segundo a mãe, invejavam a vida que Agatha Tess tinha. Um palácio gigante, um quarto cheio de luxos, guarda-costas, roupas e jóias fabulosas... Mas Agatha não se julgava mais que uma simples princesa confinada em seu palácio. Os poucos dias que saía era simplesmente para ficar ao lado da Rainha enquanto discursava. E só.
       Nunca usava a tiara real. Apenas um turbante para esconder seus belos cabelos vermelhos. Aqueles cabelos vermelhos... eles eram o motivo para que a Princesa vivesse reclusa no Palácio.

       Tinha apenas seis anos e se preparava para deixar os estudos particulares do palácio para ingressar na Escola Regular. Conhecer crianças... pessoas novas! Ter amigos que não a chamassem de Vossa Alteza. 
        Suas expectativas foram frustradas logo ao chegar na sala de aula. As crianças a olhavam com perplexidade e até com um pouco de receio. Agatha não se importou, afinal, era a primeira vez que elas viam a Princesa do Reino Suspenso do Ar tão te perto.
       -Oi - saudou a garota, animada. Mas não recebeu nenhuma resposta enquanto a professora não olhou com a cara feia para os alunos.
       Seus dias escolares, para a sua frustração, pareciam piores que suas aulas no Castelo. As crianças, os professores, todos a olhavam com a cara mais esquisita do mundo e tentavam se distanciar o máximo dela, embora Agatha estivesse se esforçando para ser o mais gentil possível.
           Depois de dois anos sendo apenas tolerada, a princesa enfim, começava a se integrar e  a conhecer pessoas diferentes. A primeira, exatamente, não seria uma pessoa diferente, e sim, seu primo distante, Dimitri, quatro anos mais velho que ela.
            - Parece que finalmente as pessoas começam a me aceitar nessa escola - desabafava a princesa.
             - Não fique tão preocupada, Agatha, as pessoas não estão tão acostumadas a ter a Princesa de seu país como colegas de sala!
           - Não é isso Dimitri! Ainda sinto que tem pessoas que não gostam de mim de verdade.
         Agatha se referia a Clara Duboc, que estudava com ela desde o primeiro ano. Clara sempre a tratava com desdém e parecia incentivar as pessoas a se distanciarem de Agatha. A princesa, é lógico, teve essa certeza e foi tirar satisfações com ela.
        - Qual o seu problema comigo? O que eu fiz pra você? - perguntava a princesa.
        - Só não quero você perto de mim! Você dá agouro!
        - Eu??? 
      - As pessoas tem de ficar longe de você, Princesa Amaldiçoada!!
        Agatha não soube explicar o que aconteceu. Apenas que depois de ser ofendida, a colega fora arremessada a alguns metros e seu cabelo chamuscado.
        - Princesa Amaldiçoada! Princesa Amaldiçoada!! - ela chorava - Símbolo do Fogo! Fogo!

        Só depois desse dia que Agatha soube qual era o real motivo de ser chamada de Princesa Amaldiçoada. Conforme Dimitri lhe disse mais tarde, a família real era distinta dos demais pela cor do cabelo, e o da família do Ar era de cor roxa. Além disso, ter dons de fogo não era comum para uma descendente direta do Deus Ar.
        Foi por causa de seus cabelos que ela saíra da escola e terminou seus estudos no Palácio. Agora, aos 18 anos, estava pronta para ir à Universidade. Ou não...
        - Mamãe, não quero ir pra Universidade - contou Agatha à Rainha Amélia.
        - Mas que besteira é essa, minha filha? Como assim você não deseja ir pra Universidade! É uma princesa, tem que se preparar pra um dia ser uma Rainha!
        - Não quero mamãe! Como serei uma Rainha se não conheço o meu povo? Ou pior: se pensam que eu sou uma Princesa Amaldiçoada?
        - Agatha, já conversamos sobre isso, filha... Não há nada de Princesa Amaldiçoada, tudo isso é lenda!
        - Lenda ou não, mamãe, mas por toda a vida vivi confinada nesse palácio! Preciso conhecer o meu povo e sozinha!
        Amélia não teve outra escolha a não ser deixá-la ir. Afinal, de certa forma, ela entendia a filha. Também ganhara o trono de uma hora para outra e foi obrigada a amadurecer para se tornar uma boa Rainha. Não queria que Agatha herdasse o Reino sob as mesmas circunstâncias. Ela estava ficando velha, suscetível a doenças... e se morresse? Sua filha teria que passar pelo que ela passara também?

        Dos dez dias que a Princesa percorreu todo o Reino do Ar, pôde constatar que nas regiões mais afastadas o povo ainda vivia isolado. Alguns até não sabiam quem era o Rei ou Rainha. Agatha percebeu como fora ignorante! Como cometera erros! Aquelas pessoas também eram parte de seu povo, a quem ela deveria proteger! Mas era uma princesa inútil e impotente que nem tinha mesmo o Dom do Ar.
        - Se procura pelo Dom do Ar, precisa ir a um dos Templos das Nuvens. Há um em cada parte do mundo, mas você precisa ter cuidado com o Império do Fogo!
        Agatha decidiu ir a um desses Templos. Precisava aprender o Dom do Ar de maneira mais rápida possível.
        - Qual o Templo mais próximo daqui?
        - O mais próximo daqui é o do Sul, acima das Geleiras. Mas cuidado! Nas geleiras do Sul tem tropas do Império do Fogo!

        Agatha rumou ao Templo do Sul. Estava abandonado há muito, exceto por um monge que persistia em cuidar de um enorme templo sozinho. 
        - Estranho! - disse o monge - A senhorita ser da família real e não possuir o Dom do Ar!
       Agatha sentiu um tremor no Templo. Terremoto? Não era possível, estavam nas nuvens! 
        - Proteja-se princesa! O exército do Fogo! 
        Agatha escondeu-se atrás de uma estátua do Deus do Ar. 
        - Entregue o Templo, monge! - ordenou uma voz masculina, grave. Agatha observou com o canto de olho. Era um soldado vestindo trajes vermelhos, jovem, e de cabelos vermelhos.
       - Príncipe Oliver, não profane o Templo do Deus Ar! - advertiu o monge.
        - Pro inferno com seu Deus! - e dizendo isso, o jovem sacou sua espada e decepou a cabeça de pedra da estátua do Deus Ar. - Entregue-me as chaves do Templo!
        O monge escondeu a chave em suas vestes. O jovem soldado, irritado, mandou seus homens pegarem o que quiserem do templo.
        - Não faça isso, Príncipe Oliver! Não desafie os deuses!
      - Pois avise pessoalmente ao Seu Deus que Oliver Gardner, Príncipe do Império do Fogo, não teme a nenhum Deus! - Oliver sacou mais uma vez sua espada e decepou a cabeça do monge, que rolou até perto da princesa. Ela não se conteve e soltou um grito de horror.
       - Ora, ora, ora! Sobrou uma sacerdotisa?
       - Seu monstro! Como pode não respeitar a crença dos outros?
       - Garota tola!
       - O senhor desrespeitou um acordo! Eu, como Princesa do...
        - Princesa? Então você é uma princesa!! - Oliver retirou o turbante da princesa, revelando seus cabelos vermelhos. - Cabelos vermelhos?
        Oliver atacou a princesa com o Dom do Fogo. Ela não pôde fazer nada a não ser fechar os olhos.
        - Princesa do Ar com Dom do Fogo?
        Agatha abriu os olhos. Não estava morta e sim, vira Oliver com parte da vestimenta chamuscada.
        
        A Princesa desfaleceu com o Dom do Fogo. Oliver a carregou nos braços até chegar na beira do Templo.
        - Preciso me livrar de você, princesinha! Se não ainda vai me trazer problemas! - e dizendo isso, soltou o corpo inerte de Agatha no ar. Se ela caísse em terra ou mar, não importava, estavam no céu, e daquela altura, nem a descendente de Ar sobreviveria.