sábado, 13 de fevereiro de 2010
Milhares de garotas, segundo a mãe, invejavam a vida que Agatha Tess tinha. Um palácio gigante, um quarto cheio de luxos, guarda-costas, roupas e jóias fabulosas... Mas Agatha não se julgava mais que uma simples princesa confinada em seu palácio. Os poucos dias que saía era simplesmente para ficar ao lado da Rainha enquanto discursava. E só.
Nunca usava a tiara real. Apenas um turbante para esconder seus belos cabelos vermelhos. Aqueles cabelos vermelhos... eles eram o motivo para que a Princesa vivesse reclusa no Palácio.
Tinha apenas seis anos e se preparava para deixar os estudos particulares do palácio para ingressar na Escola Regular. Conhecer crianças... pessoas novas! Ter amigos que não a chamassem de Vossa Alteza.
Suas expectativas foram frustradas logo ao chegar na sala de aula. As crianças a olhavam com perplexidade e até com um pouco de receio. Agatha não se importou, afinal, era a primeira vez que elas viam a Princesa do Reino Suspenso do Ar tão te perto.
-Oi - saudou a garota, animada. Mas não recebeu nenhuma resposta enquanto a professora não olhou com a cara feia para os alunos.
Seus dias escolares, para a sua frustração, pareciam piores que suas aulas no Castelo. As crianças, os professores, todos a olhavam com a cara mais esquisita do mundo e tentavam se distanciar o máximo dela, embora Agatha estivesse se esforçando para ser o mais gentil possível.
Depois de dois anos sendo apenas tolerada, a princesa enfim, começava a se integrar e a conhecer pessoas diferentes. A primeira, exatamente, não seria uma pessoa diferente, e sim, seu primo distante, Dimitri, quatro anos mais velho que ela.
- Parece que finalmente as pessoas começam a me aceitar nessa escola - desabafava a princesa.
- Não fique tão preocupada, Agatha, as pessoas não estão tão acostumadas a ter a Princesa de seu país como colegas de sala!
- Não é isso Dimitri! Ainda sinto que tem pessoas que não gostam de mim de verdade.
Agatha se referia a Clara Duboc, que estudava com ela desde o primeiro ano. Clara sempre a tratava com desdém e parecia incentivar as pessoas a se distanciarem de Agatha. A princesa, é lógico, teve essa certeza e foi tirar satisfações com ela.
- Qual o seu problema comigo? O que eu fiz pra você? - perguntava a princesa.
- Só não quero você perto de mim! Você dá agouro!
- Eu???
- As pessoas tem de ficar longe de você, Princesa Amaldiçoada!!
Agatha não soube explicar o que aconteceu. Apenas que depois de ser ofendida, a colega fora arremessada a alguns metros e seu cabelo chamuscado.
- Princesa Amaldiçoada! Princesa Amaldiçoada!! - ela chorava - Símbolo do Fogo! Fogo!
Só depois desse dia que Agatha soube qual era o real motivo de ser chamada de Princesa Amaldiçoada. Conforme Dimitri lhe disse mais tarde, a família real era distinta dos demais pela cor do cabelo, e o da família do Ar era de cor roxa. Além disso, ter dons de fogo não era comum para uma descendente direta do Deus Ar.
Foi por causa de seus cabelos que ela saíra da escola e terminou seus estudos no Palácio. Agora, aos 18 anos, estava pronta para ir à Universidade. Ou não...
- Mamãe, não quero ir pra Universidade - contou Agatha à Rainha Amélia.
- Mas que besteira é essa, minha filha? Como assim você não deseja ir pra Universidade! É uma princesa, tem que se preparar pra um dia ser uma Rainha!
- Não quero mamãe! Como serei uma Rainha se não conheço o meu povo? Ou pior: se pensam que eu sou uma Princesa Amaldiçoada?
- Agatha, já conversamos sobre isso, filha... Não há nada de Princesa Amaldiçoada, tudo isso é lenda!
- Lenda ou não, mamãe, mas por toda a vida vivi confinada nesse palácio! Preciso conhecer o meu povo e sozinha!
Amélia não teve outra escolha a não ser deixá-la ir. Afinal, de certa forma, ela entendia a filha. Também ganhara o trono de uma hora para outra e foi obrigada a amadurecer para se tornar uma boa Rainha. Não queria que Agatha herdasse o Reino sob as mesmas circunstâncias. Ela estava ficando velha, suscetível a doenças... e se morresse? Sua filha teria que passar pelo que ela passara também?
Dos dez dias que a Princesa percorreu todo o Reino do Ar, pôde constatar que nas regiões mais afastadas o povo ainda vivia isolado. Alguns até não sabiam quem era o Rei ou Rainha. Agatha percebeu como fora ignorante! Como cometera erros! Aquelas pessoas também eram parte de seu povo, a quem ela deveria proteger! Mas era uma princesa inútil e impotente que nem tinha mesmo o Dom do Ar.
- Se procura pelo Dom do Ar, precisa ir a um dos Templos das Nuvens. Há um em cada parte do mundo, mas você precisa ter cuidado com o Império do Fogo!
Agatha decidiu ir a um desses Templos. Precisava aprender o Dom do Ar de maneira mais rápida possível.
- Qual o Templo mais próximo daqui?
- O mais próximo daqui é o do Sul, acima das Geleiras. Mas cuidado! Nas geleiras do Sul tem tropas do Império do Fogo!
Agatha rumou ao Templo do Sul. Estava abandonado há muito, exceto por um monge que persistia em cuidar de um enorme templo sozinho.
- Estranho! - disse o monge - A senhorita ser da família real e não possuir o Dom do Ar!
Agatha sentiu um tremor no Templo. Terremoto? Não era possível, estavam nas nuvens!
- Proteja-se princesa! O exército do Fogo!
Agatha escondeu-se atrás de uma estátua do Deus do Ar.
- Entregue o Templo, monge! - ordenou uma voz masculina, grave. Agatha observou com o canto de olho. Era um soldado vestindo trajes vermelhos, jovem, e de cabelos vermelhos.
- Príncipe Oliver, não profane o Templo do Deus Ar! - advertiu o monge.
- Pro inferno com seu Deus! - e dizendo isso, o jovem sacou sua espada e decepou a cabeça de pedra da estátua do Deus Ar. - Entregue-me as chaves do Templo!
O monge escondeu a chave em suas vestes. O jovem soldado, irritado, mandou seus homens pegarem o que quiserem do templo.
- Não faça isso, Príncipe Oliver! Não desafie os deuses!
- Pois avise pessoalmente ao Seu Deus que Oliver Gardner, Príncipe do Império do Fogo, não teme a nenhum Deus! - Oliver sacou mais uma vez sua espada e decepou a cabeça do monge, que rolou até perto da princesa. Ela não se conteve e soltou um grito de horror.
- Ora, ora, ora! Sobrou uma sacerdotisa?
- Seu monstro! Como pode não respeitar a crença dos outros?
- Garota tola!
- O senhor desrespeitou um acordo! Eu, como Princesa do...
- Princesa? Então você é uma princesa!! - Oliver retirou o turbante da princesa, revelando seus cabelos vermelhos. - Cabelos vermelhos?
Oliver atacou a princesa com o Dom do Fogo. Ela não pôde fazer nada a não ser fechar os olhos.
- Princesa do Ar com Dom do Fogo?
Agatha abriu os olhos. Não estava morta e sim, vira Oliver com parte da vestimenta chamuscada.
A Princesa desfaleceu com o Dom do Fogo. Oliver a carregou nos braços até chegar na beira do Templo.
- Preciso me livrar de você, princesinha! Se não ainda vai me trazer problemas! - e dizendo isso, soltou o corpo inerte de Agatha no ar. Se ela caísse em terra ou mar, não importava, estavam no céu, e daquela altura, nem a descendente de Ar sobreviveria.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

2 comentários:
O Oliver fez a Agatha praticar salto livre... sem pára-quedas
Amo vc
Hmm... Não sei de onde eu tinha tirado a morte d Amélia no cap passado .__.
Gosto do Oliver :p
Postar um comentário