segunda-feira, 5 de julho de 2010
UMA DOSE DE BOURBON – A ESTÓRIA DE VICKY VALENTINE
A ardente loira abriu os olhos, passou a mão pela cama e, constatando que sua companhia já não estava ali, procurou sair o mais rápido possível. Observou pelo canto do olho um papel dobrado em cima do criado-mudo. Fez uma leitura dinâmica, e sorriu.
Não estava acostumada a receber tratamento como aquele no Reino Suspenso do Ar. Mas sua alma ansiava por algum tipo de aventura, uma real necessidade tal qual necessitava respirar.
O poente anunciava-lhe a hora de sair. Ali tinha muito mais que precisava. Faria algo que raras vezes se dispusera a fazer por vários fatores, em grande parte financeiros.
A animada casa de dança tinha um nível muito maior das quais sempre frequentava. Mas naquela noite, Vicky Valentine estava ali puramente por diversão.
Ambiente bem iluminado, gente jovem e culta conversando ou dançando o agradável folk-rock. Vicky olhou para os lados, procurando um lugar entre os vários frequentadores.
- Senhorita Valentine, aqui por favor! – Vicky fora puxada por alguém, que logo identificou como uma das damas de companhia do palácio.
A criada acomodou Vicky numa grande mesa de madeira clara onde vários bebiam bourbon, whisky e soda. Dentre todos, um casal parecia especialmente iluminado: uma moça de cabelos negros e ondulados e grande sorriso nos lábios; o outro, um rapaz de cabelos arroxeados e expressão cansada mas não descontente. Reconheceu-o rapidamente pelas amplas memórias: indiscutivelmente o homem que estava ali era o mesmo do porta-retrato no quarto de Agatha Tess.
A noite caía e apenas permaneciam os bebedores assíduos do bourbon, da cerveja e da vodca. A mesa, inicialmente com vinte ou trinta pessoas, àquela hora contava apenas com duas pessoas, além de Vicky e do casal. Não mais folk-rock, entretanto ouviam jazz os bêbados desafortunados.
A outra, que se chamava Lara, queixou-se do cansaço a Dimitri:
- Quero ir-me embora, meu bem!
Dimitri, mesmo parecendo exausto, não quis ir embora para o descontentamento de Lara. Então, pediu a um dos camaradas para levá-la em casa.
- Você não vem? – insistiu Lara, ao despedir-se de Dimitri – Hein?
O rapaz balançou a cabeça negativamente.
- Não quero ir agora. Vai com Bruno. – respondeu secamente, voltando a beber mais um drink.
Meia hora depois, o outro amigo deu adeus e já muito bêbado, cambaleou para casa. Àquela hora, o clube já esvaziara a ponto de sobrar uns poucos boêmios. Na mesa, permaneceram apenas Vicky, na sétima ou oitva dose de bebida, e um Dimitri levemente embriagado.
- Quer dançar? – convidou Dimitri, quando a banda iniciou um jazz melancólico.
Alguma coisa estava presente na atmosfera ocre do bar. As notas tristemente melódicas os envolveram a tal ponto de não se distinguirem e transformarem-nos em simples amantes das noites boêmias. Dimitri sentiu a necessidade de tê-la ali, fato que não podia, mas o fez. Ele a trouxe para junto de si e abraçou-lhe com a força viril do soldado que sempre fora. Depois estalou-lhe um beijo profundo em seus lábios. A música cessou e o soldado despertou daquele transe, da overdose de testosterona que sofrera. Porém, foi a vez da garota beijá-lo.
A ardente loira abriu os olhos, passou a mão pela cama e, constatando que sua companhia já não estava ali, procurou sair o mais rápido possível. Observou pelo canto do olho um papel dobrado em cima do criado-mudo. Fez uma leitura dinâmica, e sorriu. Em poucos instantes, sua mão amassou o papel, o rosto mudou de semblante, e ela atingiu a porta com a pequena bola de papel, amaldiçoando o dia em que fora pega em sua própria armadilha.
Marcadores: Dimitri Braus, Reino Suspenso do Ar, Vicky Valentine
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4 comentários:
Foi pra festa de penetra e ainda botou chifre na mina
O Dimitri é certinho até quando é errado (*_*)
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiin que canalha o Dimitri ¬¬''
Pobre Vicky Ç_Ç
Por essa acho que ninguém esperava
Todos tem suas fraquezas hein?
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