quinta-feira, 12 de agosto de 2010
O fogo criptava. Chamas bailando pela escuridão nefasta. Acima dela, somente as estrelas e o ulular do vento frio da noite primaveril.
As duas amigas foram chamadas às pressas. Todos à postos, procurando uma princesa angustiada, com um coração sangrando. Lena parecia confusa e perdida… não era segredo que Agatha não amava seu noivo, mas por que fugir depois de algumas semanas? E por que não comunicou nem a ela ou à Vicky? A loira, por sua vez, não deixava de sentir uma ponta de remorso por dentro, mas mal sabia conhecer apenas uma parte da verdade.
Três dias já haviam passado. O frio da viagem já chegava-lhe no corpo. Não comia ou bebia desde que saíra do palácio. Suspirou aliviada ao chegar a seu destino.
Uma criança aproximou-se a passos pequenos e vagarosos. Abriu apenas um pequeno sorriso ao vê-la ali. O corpo pequeno e frágil da princesa, os cabelos vermelhos dançando com a brisa, mas as mãos… chamuscadas, vermelhas, como que queimadas por fogo. Pegou-a no colo sem grandes dificuldades e trouxe-na para dentro do templo, onde poderia tratar suas feridas…
No jardim real, Vicky tentava acender, em vão, um cigarro, mas suas mãos tremiam a cada vez. Quando finalmente conseguiu, seu cigarro foi tomado por outra pessoa e esmagado no chão.
- Ficou doida, garota? – brigou Vicky – Cê não tá vendo que eu tento fumar há horas?
- Não precisa disto, Vicky, e você sabe…
A mulher parecia ter mais ou menos a idade da loura. Mas sua aparência se assemelhava a uma ninfa, uma ninfa de pele e cabelos negros.
- Não deveria tentar sua amiga?
- Nem sei se ela ainda me considera como amiga.
- E você? A considera?
- Do que adianta? – Vicky continuava desanimada – O país é grande demais! Ela pode estar em qualquer lugar!
- Confio em você, srta. Valentine.
Sem mais, a mulher desapareceu por entre os arbustos. Logo depois, surgiu Lena.
- Com quem estava falando? – perguntou a morena.
- Uma das serviçais do palácio… o que você quer?
- Estive pensando no porquê dela ter sumido assim, de repente.
- Vai ver que deu na telha! – disse Vicky, tentando dissipar o assunto.
- Não. – discordou Lena – Tem alguma coisa a mais… Agatha não fugiria sem nenhum motivo.
- Ah vai Lena! – ponderou Vicky – Agatha não é exatamente uma pessoa madura…
- Vicky, você sabe de alguma coisa né? – palpitou Lena – Devíamos contar à Rainha! Ela está sofrendo tanto!
- Nem você nem eu podemos fazer nada!
- Ela é nossa amiga Vicky! – insistiu Lena – Agatha sempre se mostrou generosa com os nossos erros e nos ajudou! Por que não podemos ajudá-la?
Vicky cubriu o rosto com as mãos. Algumas lágrimas escorreram pelas palmas. Lena permanecia atônita enquanto tentava formular um pedido de desculpas. Mas surpreendentemente a loira levantou-se e tranformara seu semblante um determinado e decidido.
- Lena – disse, firmemente – Quando foi que você viu a Agatha pela primeira vez?
Lena passou a mão pelos cabelos, como se a memória fosse algo palpável.
- Eu não lembro direito… a Agatha tava caída… e… – Os olhos de Lena iluminaram-se – Vamos buscar a Rainha.
Apesar daquele ser apenas o seu quarto dia, o terceiro consciente, Agatha o (a) chamava de Boo, já que esse som era o único que ele (a) emitia.
- Pensei que o Exército do Império do Fogo havia destruído esse lugar! – exclamou Agatha – Mas ele parece intacto! Você sabe o que aconteceu?
Boo não respondeu. Apenas pegou suas mãos e a levou para o cume do templo. Lá havia uma grande sala redonda com muitas estátuas antigas.
- Boo… – Agatha chamou-lhe a atenção – Você ainda não respondeu minha pergunta…
- Tudo ficou escuro por segundos, o suficiente para deixar Agatha apavorava. A luz voltou em seguida. No bolso direito do casaco da princesa apareceu um velho pergaminho. Agatha o abriu e leu. As chagas de suas mãos, feridas pelo fogo que conjurou durante a viagem, abriram-se e banharam de sangue suas vestes. Letras começaram a aparecer, como se a tinta fosse seu próprio sangue. Agatha largou o pergaminho no chão enquanto Boo reapareceu na sua frente, fitando-a com fixação.
- IDIOTAAAA! – ralhou Agatha, sacudindo-o pelos ombros – Não teve graça, Boo, não teve graça!
Agatha correu para fora do templo. Porém suas mãos ainda doíam, com grande força, uma dor que ela mal podia suportar.
Banhou suas mãos no primeiro rio que viu, um estreito rio de águas cristalinas. Uma lágrima caiu, criando uma oscilação na superfície das águas. Mas elas não vinham dos olhos castanhos de Agatha.
- Eu também costumava aliviar minhas dores aqui… – revelou uma mulher bonita, mas cujas mãos denunciavam-lhe as manchas senis – A muito e muito tempo!
- Como me encontrou? – perguntou Agatha,
- Pela perspicácia de suas amigas Lena e Vicky.
- Vicky não é minha amiga…
- Não a culpe pelo rancor que sente em seu coração querida…
Agatha levantou-se e sacudiu as mãos molhadas. Amélia a puxou pelo braço.
- Há muito o que contar, querida…
- Claro que há! – reagiu Agatha, ferozmente – Dezoito anos de mentira é um bom tempo, Vossa Majestade.
- Não gosto que me chame assim…
- E por que não devo? Afinal não sou sua filha, não tenho o sangue real… Nem sei se pertenço ao seu reino!
- Pare de me julgar… só quero que entenda a verdade…
Amélia Talidis era de longe a jovem mais promissora do Reino do Ar. Seu pai, o duque de Strattford, era um dos homens mais respeitados da região. Gozava de um grande prestígio junto ao rei.
Um prodígio! Aos quinze anos foi apresentada à corte, no baile, importantes figurões da alta sociedade do Reino do Ar, inclusive os príncipes, que lá estavam mais por obrigação que por prazer.
- Por que seus pais quiseram fazer essa festa chata? – perguntou o príncipe Victor, entediado – Sério, Amélia, baile de debutantes só serve pros pais ficarem se exibindo com os filhos.
- E você acha que eu tive escolha? – defendeu-se Amélia – Eles dizem que é importante, querem que eu me case.
- Mas você não vai topar né? – perguntou o príncipe incrédulo – Você prometeu que nós três: eu, você e o Thales faríamos Política juntos!
Amélia balançou a cabeça afirmativamente. Seus pais queriam mesmo que ela se casasse, ainda sim, permitiram que ela frequentasse a Universidade, a pedido do príncipe.
A morte do rei e a proclamação de guerra contra o Império do Fogo deixou o Reino atônito. Era precioso tomar providências e providências rápidas. A situação piorou quando a Rainha, muito querida pelo povo, definhou meses depois à morte do marido. Suas últimas palavras lamentaram sua fraqueza e por conseguinte, ela suplicou aos filhos que a próxima Rainha deveria ser forte.
- Amélia! – sussurrou o príncipe de madrugada, jogando pedrinhas na janela do dormitório. – Améliaaa, desce!
Amélia saiu pela janela, descendo pelas trepadeiras. Era frequente que o Príncipe a chamasse sempre daquela forma.
Eles se reuniram no lugar de sempre, abaixo do frondoso sabugueiro, às margens do Rio das Lágrimas. Para sua surpresa, Thales também estava lá.
- Mas, mas… – gaguejou Amélia – Eu não posso aceitar isto… Thales, você…
- Eu concordei – respondeu Thales friamente – É o nosso Reino, Amélia!
- Você é a única mulher que eu confio pra ser a Rainha! – argumentou Victor – Além disso, eu te amo, e você gosta de mim…
- Gostar não é amar! – exclamou enfaticamente antes de olhar para Thales, o namorado, suplicando que ele tivesse alguma saída brilhante para aquela situação embaraçosa – Thales…
- Amélia, pára de ser egoísta! – disse Thales – Nós não somos mais aquelas crianças bobas… nossos reis morreram, as pessoas precisam de nós, estamos em guerra! Se não agirmos logo seremos humilhados pelo Império do Fogo! É isso o que você quer? Deixar de ser a rainha para ser a escrava deles? Tudo em nome de…
- Amor! – Amélia enxugou as lágrimas. Parecia finalmente ter ouvido a voz da razão. Em algumas semanas, ela se casaria com Victor Tess e se tornaria a nova Rainha do Reino do Ar.
A barriga era demasiadamente pequena para os oito meses de gravidez. Apesar disso, as últimas semanas não tinham sido nada fáceis para ela. Agora Amélia estava no quarto, sofrendo as dores do parto, dores que há seis gestações ela esperava ansiosamente.
- Majestade… – o médico saiu do quarto com um pequeno embrulho nas mãos – Eu sinto muito, muito mesmo…
O rei carregou o corpo inerte do bebê. Ele acariciou o menino, seu sexto menino, morto.
- A Rainha já tem uma idade avançada – informou o médico – É melhor não tentar mais…
Amélia saíra do palácio logo no dia seguite. Mais uma vez ela perdera o único herdeiro do Reino, mais uma vez ela perdera a oportunidade de cumprir a promessa que fez a Thales. Uma retrospectiva passara por sua cabeça: a sexta gestação, seis crianças mortas prematuramente. Desistir de ser mãe? A idade lhe batia à porta. Se quando era mais jovem, não conseguira, por que conseguiria agora, com trinta e nove anos?
Sentou-se à beira do Rio das Lágrimas, o místico e legendário. Rezava a lenda que suas lágrimas vinham da humana que se apaixonou pelo Deus Sol no dia que perdeu para o mundo seus quatro filhos. Quem sabe uma mãe entenderia a dor de outra…
Um choro estridente. Lágrimas. Um bebêm uma menina de cabelos vermelhos boiava no rio.
sábado, 31 de julho de 2010
Com exceção de Lena, as outras mulheres no palácio pareciam tristes ou esgotadas, inclusive a Rainha. Agatha teve o descontentamento de ser acordada muito cedo, oq ue a desagradou muito, afina, não pregara os olhos. E o mesmo pivô de sua insônia foi também a razão da falta de ânimo e humor.
Vestiu com indolência a roupa de equitação e desceu as escadas com a maior falta de vontade possível. Foi recebida no saguão do palácio por dois lacaios que acompanhavam seu senhor, o lorde Van Buailt.
Pela primeira vez, prestou atenção no homem com quem iria se casar: pele macilenta, cabelos negros e levemente ondulados, barba longa, olhar escuro, olheiras profundas. Tudo em seu visual lhe conferia ar misterioso e sombrio, pra não dizer nefasto.
O lorde beijou-lhe as mãos e a conduziu para o exterior do palácio, onde dois cavalos absurdamente grandes, um negro e um branco, os esperavam. Montaram cada um no seu e prosseguiram com o passeio.
Lorde Van Buailt, Agatha logo percebey, não era muito de falar. Às pouquíssimas vezes que a princesa lhe dirigiu a palavra, ele respondia com um pigarro ou quando muito, com palavras monossilábicas.
Chegaram enfim, à sombra de uma árvore onde amarraram as montarias. Uns passos adiante, havia uma toalha com algumas cestas recheadas de comida: frutas, bolos, chás, biscoitos, geleias, queijos, pães, tortas…
- A Rainha disse-me que prefere chá de hibiscos silvestres – disse o lorde, tentando arrancar uma palavra da noiva – Mandei preparar o desjejum pra você. Não vai comer?
Agatha apenas resmungou. O lorde parecia não ouvir e continuou.
- Você sabe o que isso significa?
Novamente Agatha respondeu com um resmungo. Lorde Van Buailt prosseguiu:
- Daqui a três anos vamos nos casar, seremos coroados… Você me dará herdeiros e os criará para que assumam um dia esse trono! Creio que essa foi a escolha mais sensata da Rainha ao me escolher para essa missão.
- O que passa na sua cabeça em se casar com uma garota muito mais nova que você? Aliás, o que se passou na cabeça da minha mãe pra te escolher?
- Como já salientei, sou a escolha perfeita!
- DIMITRI ERA A MELHOR ESCOLHA! – gritou Agatha.
O Lorde ergueu sua mão, que parou a poucos centímetros do rosto da princesa. Depois, ponderou melhor e desistiu da ideia.
- Você é uma princesa e a sua obrigação é servir ao Reino! E quando for minha esposa, me obedecerá acima de qualquer coisa!
O lorde segurou a outra mão para segurar Agatha. Aproveitando-se disto, forçou um beijo. Agatha se desvencilhando de novo, jogando uma jarra de suco em sua cabeça e correu para mais longe que pôde.
Van Buailt levantou-se rapidamente e puxou pelos cabelos, prendendo-na entre os braços e forçando um segundo beijo. Desta vez, Agatha mordeu os lábios dele com grande força, seguido de um golpe baixo.
O noivo estava mais preocupado com os lábios machucados que com Agatha, por isso, deixou-a fugir.
- É uma égua baia, mas vou domá-la nem que essa seja a última coisa que eu faça!
Nas semanas subsequentes, Agatha sempre pedia a ajuda de Vicky Valentine para acompanhá-la durante os encontros com Lorde Van Buailt. Ele não tentara mais nada contra a dignidade da princesa e se reservava a fazer perguntas desnecessárias e proferir palavras hostis.
Nunca em sua vida, nem mesmo quando não passava de uma princesa inútil, se sentira tão infeliz. Fazendo algo que era forçada! E sua mãe? Porque não lhe consultara? Por que não entregou sua mão a Dimitri?
Vicky passava os dias com menos emoções em sua vida… Sem encrencas, dívidas de bar, prisão, trapaças… No entanto, seu corpo necessitava desse descanso… e sua boca necessitava a dele…
Fazia uma bela noite aquela, mas a temperatura que a incomodava seu sono. A brisa acerca da fonte lhe parecia uma boa ideia.
- O que faz aqui? – perguntou Vicky à sombra que se aproximava.
- Precisava te ver mais uma vez! – respondeu Dimitri. Deu uma longa passada para tentar beijar-lhe a boca.
- Esquece! Vários já esqueceram de mim… garanto que você vai conseguir também!
- E você acha que eu não tento isso todos os dias? Me sinto culpado quando olho pra este anel! Quando olho pra Lara!
- Você é uma pessoa desprezível.
Dimitri fez cara de surpresa. Como um homem tão leal que nem ele poderia ser considerado desprezível?
- Não vê que está fazendo três mulheres sofrerem ao mesmo tempo?
- Como?
- A Rainha iria escolhê-lo para casar-se com a Agatha! E acabou preferindo aquele lorde idiota… e graças a isso, Agatha está sofrendo imensamente.
- Não seja hipócrita Vicky! Agatha é como, como uma ir…
- ELA SEMPRE TE AMOU, SEU RETARDADO!
- Mas… mas… mas… você, eu… você não me deixaria casar com ela…
- É claro que sim! – afirmou Vicky, com lágrimas nos olhos – eu não sou nada sua!
Vicky beijou Dimitri ardorosamente;
- Eu te amo, mas vou te esquecer nem que isso custe a minha vida.
Uma sombra moveu-se entre os arbustos. Aos olhos rápidos de Vicky, a criatura assustada fora facilmente reconhecida pelo simples fato de ter cabelos vermelhos.
Tamanha era sua apatia e reclusão nos últimos dias, que nenhum serviçal ousava incomodar a princesa. Agatha entrou correndo pelo palácio, estupidamente cega a ponto de derrubar um criado levando louças a serem limpas. Não sabia exatamente aonde iria, corria sem rumo, entrando de porta em porta como se o gigantesco castelo não fosse grande o bastante para suprimir sua raiva.
Entre as portas e passagens ocultas, entrou num cômodo onde jamais pisara. Escuro e mal iluminado, exceto por um pequeno feixe de luz azul. Ali ficou a chorar e a maldizer Vicky, Dimitri, sua mãe, lorde… Todos conspirando contra a sua felicidade. Todos traindo e escarnecendo dela.
- Você está me pedindo demais! – esbravejou uma voz conhecida. Agatha escutara tanto essa voz, que na primeira palavra a reconheceu – Uma Rainha jamais se curvará a isso, muito menos quando isso envolve sua própria filha.
Agatha aos poucos se aproximou da fresta onde o feixe de luz irradiava. A voz ficou mais nítida e ela pôde identificar mais duas:
- Covarde! Como ousas chantagear Vossa Majestade! – Agatha ouviu uma voz grossa e imponente. Era a de seu tio Thales.
- Rainha? – a terceira voz se assemelhava com um sibilo ameaçador – Não tem o nosso sangue real! O Reino não precisa de uma Rainha devassa , que mantém um caso amoroso com um de seus generais… sendo o mesmo irmão de seu esposo, o Rei por direito.
Agatha ficou estupefata. Então a mãe estava enamorada de Thales? Aquilo não lhe soava tão estranho. Talvez fosse coisa de família que as mulheres se apaixonassem por seus protetores. Mas, teria Amélia sido tão egoísta a ponto de vender a felicidade de sua filha em troca da pureza de sua imagem?
- Não vou forçá-la a gostar do senhor, lorde Van Buailt – replicou a mãe – Já cedi a chantagens demais de sua parte!
- E o que o Reino vai pensar quando souber que sua matriarca, sua Rainha, a dama mais respeitada do país, foi na verdade, uma mentirosa?
- Desista Van Buailt… – disse Thales – A Rainha já disse que não se importará se você revelar a todos o nosso… relacionamento.
- Sabemos que eu não falo deste assunto, general Braus… As coisas são muito mais graves, não concorda Vossa Majestade?
Amélia caiu no choro, sendo amparada por Thales. Enquanto soluçava, o lorde exibia uma feição tranquila e triunfante. A princesa já não aguentava mais: era a primeira vez que ela vira a mãe, símbolo de força do país, cair em desespero e desilusão.
- Imagina o que ocorrerá ao reino, ao povo, ao parlamento, quando vir à tona toda a verdade?
- Páre! Páre! – pediu a Rainha, aos prantos – Por favor!
- … A verdade que todos desconfiavam mas sempre tiveram receio de perguntar…
- CALE-SE BUAILT! – ordenou Thales.
- … Que a princesa Agatha não possui o sangue real da nossa pátria…
Silêncio. A porta abriu-se e do outro lado, parada, uma jovem princesa, cujo coração caiu em desespero pela segunda vez naquela noite.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
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