domingo, 28 de março de 2010
A viagem seria muito desconfortável se não fosse Vicky Valentine. Ela "convenceu" o condutor de uma charrete de mercadorias a dar-lhes carona até alguma cidade perto da capital. A manobra deu certo: no final do dia, na paisagem deserta esboçavam-se algumas colinas e alguns pontos verdes, sinal de que deixavam o deserto e aos poucos se aproximavam da Capital.
Era uma cidade entre várias colinas, um vale. Mas ao contrário do que se pensa dos vales, aquela vila não parecia nada bonita. As casas eram todas muito pobres, a fumaça dominava a atmosfera e o rio, se é que se podia chamar de rio, se restringia apenas à um veio de esgoto.
- Puta cidade fedorenta! - resmungava Vicky, tampando o nariz com um lenço.
- Pára de falar palavrão, Vicky - repreendeu Lena, que também protegia o olfato do odor putrefato do local.
Agatha avançava por entre a leve fumaça de esgoto. Nos caminhos tortuosos e sujos, ruas vazias. Sequer anoitecera e as casas estavam todas fechadas, dando a impressão de uma cidade fantasma.
Seus olhos castanhos repararam no simples abrir da cortina de uma das casas. Agatha correu a bater na porta, era a única casa que dava sinal de vida.
- Ei, ei - Agatha chamava, batendo com as mãos na porta - Somos viajantes, precisamos de pernoite, não sabe onde podemos...
A porta abriu revelando um homem de uns vinte e poucos anos, barba mal feita e um macacão sujo de óleo. Atrás dele, a pessoa que vira abrir a cortina outrora, um menino.
Bruce era mecânico, morava numa das simples casas da Vila. Não tinha muito luxo, ele dizia, todos na cidade mal tinham dinheiro para comer.
- E ainda temos de pagar altos tributos pro Exército - explicava.
- Como assim, pagar tributos? - estranhou Agatha - Os soldados recebem soldo do governo da província e do governo geral, e ainda exploram a população.
- Isso não é nada, fofa! - interveio Vicky - A República da Terra está jogada às traças, os soldados, quando não se vendem ao Império do Fogo, exploram seu próprio povo.
- E ainda mandam na cidade... - continuou Bruce, com tristeza - Desde que o nosso líder morreu, eles tomaram de conta daqui... Além de nos exigir dinheiro, pegam nossos filhos, humilham nossas mulheres, chantageiam a todos, declaram toque de recolher.
- Toque de recolher?!?!? - perguntaram, incrédulas, as três moças. Toque de recolher ao pôr-do-sol.
- E essa fedentina que domina esta cidade? - perguntou Vicky, levando um cutucão de Lena - O que foi? Essa cidade fede ou não?
Bruce suspirava:
- Há muitos anos, um regente pronvicial instalou a fábrica de chumbo, sabem, há chumbo debaixo do leito do rio... enfim, a indústria existe a mais de cinquenta anos e ainda utiliza tecnologia velha... eu mesmo trabalho lá. Por causa da indústria, nosso ar é podre e nosso rio não dá mais peixes, e as crianças vivem doentes.
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Lena. Aquele lugar, mesmo a quilômetros de distância, era muito parecido com sua vila natal onde as pessoas eram exploradas e adoeciam e os peixes eram podres.
Aquela cidade definitivamente não tinha feito bem, principalmente à Lena e à Agatha. Vicky escondia, mas também estava comovida com tamanha injustiça.
- Deve ter um jeito de ajudar esse povo - dizia Agatha - Não tem como passar por aqui e ficar de braços cruzados!
- Você tem razão Agatha! - concordou Lena - As pessoas estão sofrendo e nem podem contar com seus governantes... eu não quero nunca mais ver isso na minha vida.
- Ah não gente, por favor - rebatia Vicky - Temos de chegar à capital depois de amanhã e vocês querem ajudar esse gente pobre? Não podemos fazer nada, entenderam? Uma princesa, uma nerd e uma ladra podem enfrentar um exército todo sozinhas?
Agatha e Lena tiraram o dia pra fazer caridade. Enquanto a morena ajudava as crianças com remédios e cuidados paliativos, Agatha ainda tentava dialogar em vão com o comandante-em-chefe da cidade. Vicky, por sua vez, não fora vista desde o nascer do Sol.
Para o desagrado de Lena, as crianças sofriam de doenças de pele bastante graves, além de doenças respiratórias complicadas.
- E então? - perguntava Lena à Agatha, já presumindo a resposta ante a expressão desanimada da garota - Conseguiu falar com o comandante?
- O Capitão deu uma série de desculpas... na certa achando que eu ia engolir aquilo né? - contou Agatha.
- Pelo que estou verificando, as pessoas não vão melhorar enquanto a fábrica não for fechada e o Exército não parar de maltratar os outros...
Força de expressão? Ou de pensamento? Só Deus sabia... Mas a terra tremeu, primeiro com fracas vibrações... depois... ganhou as dimensões de um terremoto considerável. No horizonte via-se a fábrica tombar tal como um castelo... a cidade recobria-se de pó...
Marcadores: Lena Brown, Princesa Agatha Tess, República da Terra, Vicky Valentine
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2 comentários:
Mas que insistência em ajudar pobree
t amo
Pronto problema resolvido..
Aposto que a Vicky dinamitou a budega OEEEEEEEE
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