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Louca/Estranha/Anormal/Distante/Fria/Egocêntrica E muitas outras mais... Autora de Angelus, Tokyo Revivers e A Cor da Lágrima, codinome: Horigome Namika

sábado, 20 de março de 2010

     Cada uma falava alguma coisa, lutava com alguma gana para não ficar lá.
   - Vocês sabem com quem estão falando? Eu sou Agatha Vizcov Tess! Princesa e herdeira do trono do Reino Suspenso do Ar!
   - Vocês não podem sair prendendo as pessoas desse jeito! - protestava Lena - Eu tenho direito a um telefonema e a um advogado, entendeu?
  As palavras das duas entraram por um lado e saíram por outro. Os soldados as empurraram para dentro da cela. Escura, suja, cheia de limo e mofo. De longe, o pior lugar onde já estiveram.
 Vicky demorou mais um tempo a entrar. Os soldados passaram um bom tempo revistando-na, tirando pistolas ocultas em todos os lugares possíveis: no decote, nas meias... até nas calçolas havia um pequeno cinto onde ela guardava duas mini-armas.
  Passada a revista, ela foi empurrada para dentro da sala onde estavam as outras duas. Isso sem perder a pose.
   Vicky Valentine olhou a sala de cima a baixo expressando asco por tudo que vira. Apenas sentou-se num dos bancos de concreto, cruzou as pernas, e cantarolou alguma coisa. Sua voz só foi calada quando as mãos de uma morena possessa agarraram seus cabelos.
  Lena arrancou-lhe dois ou três chumaços de cabelos antes de ser apartada por Agatha. A loira passava as mãos na cabeleira, e resmungava:
  - Ficou doida?? O que eu fiz pra você?
  - O que você fez? Você ainda tem a audácia de perguntar o que você fez? Por sua causa estamos nessa situação!
  - Minha causa? - defendeu-se Vicky - Eu nunca te vi na vida garota! A única que eu prejudiquei foi essa garota aí.
  Vicky apontou para Agatha, sentada no banco que tinha seu olhar distante e vago. A loira se ajoelhou em frente a ela, e, unindo suas mãos às dela, pediu perdão:
  - Foi malz aê.
  Lena levou a mão à cabeça, repugnando-se da atitude da outra. "Foi malz aê, é tudo o que ela fala?" pensou.
  - Se eu quisesse teria matado ela fácil, fácil - disse Vicky, como se estivesse lendo a mente das duas - Mas não quis... Não mato as pessoas por causa de outras... principalmente por causa do Oliver.
   - Oliver? - perguntou Agatha, despertando do aparente transe - Você quis dizer Oliver Gardner?
   Vicky confirmou com um aceno. Lena levou a mão à cabeça mais uma vez. 
   - Então ele mandou você me matar! Por quanto?
   - 500 moedas de ouro iniciais e mais 500 quando terminasse. - respondeu Vicky.
   - E naturalmente não terminou o serviço porque viu o monte de grana que poderia ganhar com as coisas da Agatha né?
   Vicky deu de ombros. Não queria admitir, mas sim, a morena de gênio forte estava certa.
  - E onde estão as coisas que você roubou?
  - Deixe-me ver... - pensava Vicky, com a mão no queixo e olhando pra cima - A tiara ainda tá comigo, ou melhor, tava, porque os policiais pegaram quando me revistaram...
  Agatha soltou um suspiro de alívio. Não seria nada bom se a tiara real do Reino Suspenso do Ar estivesse por aí. 
  - Tinha um convite pro baile real lá na capital... esse eu tive que dar pro atravessador... miserável!
  Agatha abriu a boca estupefata. Vicky roubara o convite que lhe permitia a audiência com o Rei, conforme a mãe pedira. E agora, o que faria?
  - Também tinha um colar muito bonito, com um rubi desse tamanhão ó! Esse aí me rendeu uma boa grana, quase quarennta moedas de ouro!
   Lena tentou mais uma vez pular no pescoço de Vicky. Agatha se debulhou em lágrimas, tinha aquele colar desde muito cedo, desde que era uma criancinha. Sua mãe lhe dizia que era uma herança de família.
   
   Não era possível determinar quanto tempo havia se passado. A noite terminara... o dia estava raiando. Nenhuma das três jovens dormira... estavam todas com olheiras notáveis. A mais jovem das três tinha seus olhos castanhos inchados do choro. A morena andava de um lado para o outro, enquanto a loira vez ou outra cantarolava alguma coisa.
   - E se a gente fugir daqui hein? - sugeriu Vicky - Já notei que a garota ali é inteligente, podemos bolar um plano e dar o fora daqui.
  - O que? Sermos foragidas da justiça? - estranhou Lena.
  - Qual o problema? Nós já estamos sendo caçadas pelo Império do Fogo!! Aliás, se demorarmos aqui, logo logo seremos entregues para os soldados e nossas coisas serão vendidas!
   - Ela tem razão - concordou Agatha.
   
   O cheiro ocre no ar, as celas oxidadas, as paredes cobertas de musgo e desenhos obscenos e pra completar a horrível lavagem servida aos detentos. Estavam na última e na pior cela do corredor escuro: os policiais morriam de medo da má influência de Vicky Valentine, um motim seria o fim. 
   Foi a distância e o afastamento que contribuiu para que as moças arquitetassem um plano simples, mas que necessitava de toda a habilidade de Agatha, habilidade que nem mesmo ela sabia dominar.
   Suas mãos queimavam... já estavam vermelhas... poderia reclamar da dor? Não, isso seria injusto. Não apenas fugiriam, teriam que recuperar a tiara de Agatha e as armas de Vicky. 
   A de baixo estava solta, as condições da barra de metal contribuíram fortemente para isso. Usar o dom de fogo nas mãos da princesa foi uma ideia boba de Lena, mas que as outras duas acataram com satisfação. No período da tarde, onde os policiais não as importunavam, Agatha terminou o serviço na parte de cima. Pronto! Duas barras soltas seria o suficiente para que as três estivessem livres da cela.
   Conforme Vicky Valentine, a madrugada seria a hora perfeita. Não ficavam muitos soldados guardando a delegacia, e os que ficariam, com certeza estariam sonolentos demais. Dito e feito. As duas barras de metal que Agatha derretera usando os dons de fogo foram removidas e uma a uma, elas avançavam pelo corredor escuro, com ligeiros passos.
   Assim como Vicky previra, haviam dois soldados. Um cochilava com profundos roncos. O outro resistia a dormir, sentado na cadeira fazendo palavras cruzadas. 
   Vicky deslizou até o dorminhoco e apertou com demasiada força o pescoço gordo. O homem despertou assustado, a face pouco a pouco se avermelhando. Quando o companheiro se moveu, Agatha e Lena imitaram a companheira: Lena segurou-o pelos braços, enquanto Agatha pegava a arma. A princesa apontou para a cabeça dele, arrancando um sorriso de Vicky, que fizera o mesmo.
  - Estouro seus miolos se não devolver nossas coisas! - ameaçou Vicky.
  Lena soltou o outro e olhava ameaçadoramente para os soldados, na mira de duas garotas.
  O gordo apontou para a gaveta embutida na mesa, sinalizando que a chave estaria ali. Lena abriu-a e pegou a pequenina chave de zinco. Depois, o gordo apontou para um velho armário oxidado.
  Lena abriu o armário e tirou seis pistolas de diversos tamanhos, um colete de balas, e várias bolsinhas com facas e canivetes. Tirou também a mochila da garota e seu arco desmontável.
   - Agatha, abre todas as celas! E você, senhorita certinha, pega as chaves do almoxarifado e pega tudo o que puder!
  - Peraí, Vicky! Vamos libertar bandidos e roubar a polícia?
  - Lena - interveio Agatha - Esses policiais são corruptos, certamente há pessoas presas porque o Império do Fogo quer! 


   O sol esboçava amanhecer quando as três estavam a uma distância segura da cidade. Todas exibiam em seus rostos a expressão de insônia que as perseguia há dias. A poucas horas estavam em uma cadeia suja e podre, agora estavam num botequim de beira de estrada. Agatha saboreava torrada com leite, Lena bebericava café e Vicky já estava em sua segunda dose de rum.
  - Pra uma princesa até que você não é ruim! E nem você, senhorita nerd!
  - É Lena Brown! - corrigiu Lena - Lena Brown!
  - É, mas agora não temos dinheiro, e precisamos chegar à Capital dentro de dois dias e falar com o Rei!
  - É... e entrar de penetra no baile, já que ALGUÉM vendeu o convite... - ressaltou Lena, olhando categoricamente pra Vicky.
  - Já disse que foi mal! 
  - É, mas você deve tanto à Agatha que...
  - Você também saiu da cadeia graças à Agatha... - rebateu Vicky.
  - Querem calar a boca vocês duas! - pediu Agatha - Vocês falam, falam e falam, mas quem vai se ferrar bonito se não chegar à Capital sou eu. Não sei que tipo de coisa tem na correspondência da mamãe, mas tenho certeza que é alguma coisa muito importante!
  As duas suspiraram. Agatha tinha razão: não seria problema de nenhuma delas se Agatha chegasse ou não.
  - Eu sempre quis ir num baile real... Provavelmente muitos intelectuais estarão lá! - comentou Lena.
  - E muitos milionários também - completou Vicky.
  
   Agatha tirou da bolsa uma moeda de bronze, uma das únicas que sobrara. Pagou o consumido e se retirou do botequim. Ao seu lado ia Lena Brown, a intelectual e Vicky Valentine, a ladra. Companhia perfeita? Talvez não... Mas a partir daquele dia, os destinos das três estariam mais entrelaçados que uma simples fuga da cadeia ou um café da manhã num botequim de beira de estrada.

2 comentários:

Tammy disse...

\o/
Ninguém para a Vicky
Adoro ela... tão fodástica *_*

Gui disse...

Interesseira... ela quer é dar o golpe do baú
mesmo assim, fodástica