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Louca/Estranha/Anormal/Distante/Fria/Egocêntrica E muitas outras mais... Autora de Angelus, Tokyo Revivers e A Cor da Lágrima, codinome: Horigome Namika

sábado, 20 de março de 2010

Cap. 16 Recanto das Pedras

     Três dias haviam se passado e Agatha apenas se movia pela determinação de recuperar suas coisas. Estava ficando sem prazo: recuperar as joias e ainda ir à capital da República encontrar com um rei. Pedir ajuda à mãe? Não! A mentirinha inocente que tinha inventado agora tomava proporções incalculáveis. 
   Lena se queixava terminantemente do calor que assolava aquelas cidades nas proximidades do deserto. Agatha preferia não ouvir os lamúrios dela.


    Aquela cidadezinha se chamava Recanto das Pedras. Não se recordara de estar ali antes, mesmo que conhecesse o deserto como a palma de sua mão. Certamente estaria segura ali. Mas Oliver realmente a caçaria por todo o deserto?
   Optou por uma estalagem suspeita. Tudo ali parecia terrivelmente empoeirado e terrivelmente mal cuidado. Os donos eram velhos e mal humorados. Ficaram felizes em receber o punhado de moedas de cobre. A velha apenas resmungou enquanto subia com Vicky. "Mais uma dessas bonitonas, que chato!". 
   Vicky se deitou na cama pensando o quanto poderia ganhar: de tempo e de dinheiro. Estava numa cidade estranha, poderia enganar a quem quisesse. Quem sabe dar mais um golpe do baú em algum velho rico?


 Lena tocava a sineta sem parar enquanto batia o pé impaciente. Agatha olhava de um lado para o outro até achar o velho preguiçoso que dormia embaixo do balcão.
  A velha desceu da escadaria resmungando palavras sem nexo. Não pareceu muito feliz ao encontrar as duas paradas no hall.
  - O que vocês querem?
  - Não é óbvio? - ironizou Lena - O melhor quarto, por favor.
  - É caro. Três moedas de prata por dia! E sem comida!
  Lena tirou as três moedas e as colocou em cima do balcão. Passou pela velha resmungando.
  - Vai roubar pra ser feliz!
   Agatha continuou no hall olhando sonhadoramente para as pinturas na parede. Não tinha muito o que se ver: um papel de parede brega e descascado; pinturas baratas feitas por artistas de rua.
  - Vai subir não garota? - perguntou a velha.
  - Me desculpe senhora, só estava... vendo.
  - Deve ser mais uma riquinha!
  - Ela é a Princesa... - murmurou o velho vindo debaixo do balcão - Princesa do Reino do Ar.  
  
  Ideias eram coisas que lhe apareciam rapidamente. Bastava esfriar a cabeça que elas brotavam como flores na primavera. Precisava dar um golpe, não pelo dinheiro, mas para sua própria auto-estima: ficar muito tempo descansando não era de seu feitio e até lhe deixava sufocada. Causava tal abstinência, era seu vício, seu dom e sua maldição.
 Abrira a mochila de lona para ver o que ainda lhe restava: a tiara de um metal muito precioso, precioso demais para que ela vendesse. Ela entraria para sua coleção valiosíssima, aquela que não venderia nem que passasse necessidade. Viu também num embrulho um envelope  timbrado, perdido num lenço de seda real (que ela ia vender). O timbre era da República da Terra. A mensagem: um baile real na capital.
  Seus olhos iluminaram-se frente às oportunidades que vira. Um baile na capital, VIP, cheios de milionários dando sopa... Oportunidade mais que perfeita de dar mais um golpe perfeito!


  - Por que você acha que vamos achar a Vicky Valentine nesse fim de mundo? - perguntava Lena - Pra que você acha que ela se esconderia nesse final de mundo.
  - Pense um pouquinho Lena... Como você explicaria isso? - Agatha apontou para uma página recém-colada. Nela, uma foto grande de uma Vicky sorridente e debochada aparecia sob a recompensa de mil peças de ouro.
  - Oliver... - concluiu Lena - Então ela trabalhava pra ele...
  - E se eu estou vivinha da Silva...
  - É porque ela passou a perna no Oliver também... Meu Deus, que mulher bandida!
   Agatha sorriu satisfeita. Isso até se lembrar de um pequeno detalhe...
   - Se o cartaz da Vicky chegou até aqui...


  Não muito longe dali, a mulher de cabelos dourados também via o cartaz perplexa. Não só isso. Via pelo horizonte cavalos-de-fogo chegarem pela planície desértica. Ele a tinha encontrado? Impossível! Um de seus melhores atributos era fugir sem deixar rastros! Mas o exército de Oliver Gardner fora capaz de chegar até ali e a seguiria até o fim.
  Tarde demais... seu rosto era conhecido ali, e os habitantes picaretas daquele lugar certamente a entregaria... Não se ela fosse mais esperta e saísse daquele fim de mundo o mais rápido possível. Teria de barganhar com todas as suas armas... Ir à capital, onde Oliver não poderia ir...


 Lena tentava barganhar com um atravessador a maneira mais discreta de deixar aquele lugar. O mercador percebia o seu desespero e tentava arrancar o dinheiro que elas não tinham.
  - Seis moedas de ouro! Isso é um assalto à mão armada senhor! Não temos todo esse dinheiro!
  - Eu sei que a senhorita viaja com a Princesa do Ar...
  - Tudo o que posso pagar ao senhor é quinze moedas de prata - interveio Agatha - se o senhor quiser, posso assinar um documento, um título que o senhor pode cobrar quando apresentar ao meu reino!


  Ao lado delas, mais uma pobre alma deixava aquele lugar. Estava envolta de trapos imundos e não dizia uma só palavra e nem mostrava uma só parte do corpo que permitiria definir que fosse homem ou mulher. Apenas respirava fulgazmente, como se fosse asmático.
  A viagem não era nada confortável, o calor era intenso e o fedor dos animais da caçamba incomodova bastante. A carroça, que andava a passos de tartaruga parou de vez, seguidas por vozes truculentas.
  Agatha e Lena notaram que o condutor desceu da charrete e conversou duas ou três palavras. Em seguida, levou dois soldados da República da Terra que retirou a lona que as envolvia. Outros três forçaram as jovens a descer, elas relutavam em se identificar.
  Por baixo do véu, Agatha notou que o condutor fez um sinal afirmativo. Um dos soldados tirou o véu das duas e deu um sorriso afirmativo.
  O outro ser maltrapilho foi agarrado por dois policiais. Deu um pisão de pé em um, e rendeu o outro. Apontou uma pistola. Deixou cair seu véu. Revelou sua identidade.
  A cabeleira excessivamente loura, os olhos azuis faíscantes, a pele levemente dourada pelo sol, o semblante desafiador! 
  - Baixe a arma mocinha! - ordenou o soldado - Ou vai se arrepender!
  - Eu dou as ordens aqui! - repreendeu Vicky - Quer que eu estoure os miolos do seu amigo?
   Não. Vicky não dava as ordens. Em questões de segundos foi cercada por vinte soldados apontando pistolas para ela. Tinha de reconhecer que fora pega e pôr a pistola no chão.

4 comentários:

Tammy disse...

AAAAAAAAAAAAAa ¬¬'
Não acredito que pegaram a Vicky .__.

Gui disse...

E vai todo mundo pro xilindró!!!
Meu amor... a República da Terra não é aliada do reino da Agatha??

Mila disse...

Esses soldados são corruptos, meu bem...
Inspirado na digníssima cidade na qual vivemos!

Doug disse...

pegaram a Vicky =/