quinta-feira, 13 de maio de 2010
- Quem está… quem está… aí? – murmurava uma voz vacilante repousando no leito de véus. Era tão fraca e sem fulgor, traduzindo o estado daquele ser.
- Calma, calma, meu nome é Agatha. Agatha Vizcov Tess. Princesa do Reino Suspenso do Ar – dizia Agatha enquanto tirava o turbante, revelando os longos e sedosos cabelos ruivos iluminados pelo luar prateado.
O rei virou-se dando um sinal para que a jovem se aproximasse um pouco mais. Agatha assim o fez, e deslizou seus pés rumo ao leito. Prostrou-se ante ao Rei, não sabia como se comportar, jamais tinha ficado frente a um rei senão seu pai.
Vira, pela primeira vez, aquele homem deitado. Coberto de panos e lenços, se assemelhando a uma múmia. No rosto, uma máscara prateada cintilava à luz do luar.
- Eu… me desculpe, eu…
- SHHHHHHH- o rei silenciou com o dedo entre os teóricos lábios – Tess… hã…
Agatha não entendeu de pronto. O que ele gostaria de lhe dizer?
- Há muito e muito tempo eu conheci uma jovem condessa. Ela era bonita e doce e meiga… – o rei contava como quem conta um devaneio. Agatha apenas ouvia pacientemente – Mas um dia ela foi embora, ela se casou com o Príncipe do Reino do Ar e nunca mais voltou.
Sim, finalmente a jovem o compreendera. Então sua avó era uma nobre do Reino do Ar!
- Mas não vejo em você nada daquela nobre…
Agatha lembrou-se de sua infância e do turbante deixado no chão. Não era a primeira vez que alguém falava da sua falta de semelhança com sua família, e não seria a última. Aquilo não mais lhe incomodava, era algo que teria de conviver pra sempre mesmo.
Um pequeno solavanco na porta, ela se abriu com tamanha força e vigor. Dela saíram vários seguranças, dois deles segurando duas inquietas moças, uma loira e uma morena. Do pequeno aglomerado de gente, saíam dois homens de meia-idade, usando vestes nobres e semblantes autoritários.
- Prendam-na – ordenou o primeiro. Dois seguranças avançavam na direção de Agatha, que receosa, recuou mais.
- NÃOO – o rei se opôs com certo vigor.
- Mas meu senhor – repetia o segundo dos homens – O cabelo dessa jovem é vermelho! Ela é uma espiã do Império do Fogo! E essas jovens, aquela é uma ladra procurada e a outra uma traidora do Reino da Água…
- Esta jovem é a herdeira do Reino Suspenso do Ar. Deve ser tratada como em seu reino, como a princesa que deveras é.
Os dois homens entreolharam-se e deixaram os seguranças liberarem as jovens. Ainda que a contragosto.
- Como quiser, majestade.
Agatha acordou com os raios solares envolvendo e iluminando seu pálido rosto de princesa recém saída do castelo. Pelo alvoroço na cozinha, presumiu que Lena e Vicky estavam acordadas.
Vestiu o robe perolado e se deparou com o motivo da gritaria. Surpreendeu-se ao ver os homens, cônsules daquele país, à sua espera na sala.
- O que vocês querem? – perguntou Agatha, cujo humor não era dos melhores ao ser subitamente acordada.
- O rei solicita vê-la… alteza – respondeu o cônsul, com tal rispidez nas palavras, como se estivesse com nojo.
- E minhas damas de companhia?
- Serão tratadas como Vossa Alteza desejar.
- Uma charrete à disposição delas? – desafiou Agatha.
- Como? – perguntou o cônsul incrédulo.
- Disseram que serão tratadas conforme o meu desejo. É isso o que quero.
O cônsul não teve outra escolha a não ser conceder o desejo da convidada. Lena ficou entusiasmada, aproveitaria a oportunidade para ir à Universidade. Vicky não pareceu tão feliz. Talvez não apreciasse a companhia de dois brutamontes do governo. (Ou talvez os lugares que frequentasse não permitisse isso).
Agatha foi conduzida pelo cônsul até a charrete, onde o segundo estava esperando-na. Aquele país, como Lena lhe dissera, apesar de ser um Reino, se chamava República da Terra, e era governado por dois cônsules. O motivo, Agatha ficara sabendo, o rei era doente, doente o bastante até para ignorar a situação do seu próprio reino.
- Bem-vinda senhorita – saudou hipocritamente o segundo cônsul.
- Bom dia – respondeu apaticamente Agatha.
Os cavalos trotavam pelas ruas de pedra. Na cabine, os cônsules insinuavam coisas à princesa.
- Vai ficar quanto tempo, princesa? – perguntou um deles.
- Tempo suficiente pra resolver questões diplomáticas.
- Espero que saiba o que está fazendo, Alteza. – falou ironicamente o outro.
- O que o senhor quer insinuar com isso? – disse Agatha, sendo objetiva.
- Nós não queremos insinuar nada, Alteza. Apenas que saiba que antes de dizer algo desnecessário ao rei, compreenda como é este país.
- Compreendo muito mais que os senhores, pode apostar!
Ambos deram sorrisos sarcasticamente falsos. E prosseguiram com a viagem.
Agatha foi levada até um pequeno palacete, adornado com flores e árvores. O jardim, tão amplo, continha um lago bonito, onde carpas nadavam. O rei estava sentado à beira do lago, a toalha xadrez estendida e várias guloseimas sob ela.
- Muito obrigada por nos defender, Majestade – agradeceu a pequena princesa – Não é a primeira vez que eu me meto em confusões por causa do meu cabelo vermelho!
- Eu li o pergaminho que sua mãe me enviou – disse o Rei – Eu… nem sei o que dizer.
- Imagino… a algumas semanas eu era como Vossa Majestade. Eu também era ignorante e não sabia o que acontecia em meu reino. Não sabia as atrocidades que o Império do Fogo cometia contra o meu povo e contra os outros. Vi a miséria no Reino da Água e o sofrimento na República da Terra.
- Os meus cônsules fazem de tudo para manter esse reino bem.
- Me desculpe, mas acho que não fazem o suficiente. – apontou Agatha, relembrando todas as intrigas em que se metera pela corrupção dos soldados – O senhor não faz ideia do que eu vi neste reino! Os seus soldados estão se vendendo a moedas para o Império do Fogo e logo logo eles irão chegar à Capital.
- Não conseguirão! – o Rei tentou convencê-la – Nossas barreiras são intransponíveis.
- Bem, se o senhor prefere acreditar nisso… – ela se levantou, mas hesitou depois que viu um gesto do rei.
- Não ache que o meu reino é governado por dois cônsules porque eu assim quis! Eu precisei fazer isto!
Agatha sentou-se novamente. E quis ouvir o porquê de um Reino se transformar em uma República.
A cinquenta anos atrás, havia um rei e ele era casado com a dama mais bela de todo o Reino. Apesar de ter dinheiro, poder e a mulher mais bela em sua cama, ele não se contentava com isso.
O rei tinha várias concubinas e era especialmente maldoso com elas, e com seu povo. Depois que alguma delas engravidava, ele mandava que lançasse o bebê no Abismo do Medo. Apesar de possuir vários filhos com suas amantes, ele não reconhecia nenhum e sua esposa não conseguia dar ao Reino um herdeiro.
Um dia, a Deusa Terra, com pena da rainha, concedeu à ela um filho varão, saudável e forte. A Rainha, então, ficara muito grata à Deusa.
Porém, o Rei continuava a praticar suas maldades contra o povo e contra seus filhos ilegítimos. A Deusa Terra se arrependeu de ter concedido a graça ao Rei ao ver o desespero das mães com seus filhos descartados. Como punição, profanou a pele do herdeiro com uma doença que nem os homens mais sábios do mundo curaria. O herdeiro jamais poderia tocar uma mulher, e assim, nunca daria filhos ao Reino da Terra.
E logo quando ele completou quinze anos, quando estava apaixonado por ela, uma bela condessa. Nunca poderia casar-se com ela, nem poderia tocá-la e dar-lhe filhos. Assim, aquele palácio feito para ela ficaria como uma lembrança nostálgica. E ela, estaria feliz, quem sabe, ao lado do Rei do Ar e lhe deu um filho forte e varão.
- Eu não sabia, me desculpe – balbuciou Agatha.
- Agora Vossa Alteza entende, entende o porquê deste Reino estar fadado a ser uma República.
Marcadores: Lena Brown, Princesa Agatha Tess, Rei da Terra, República da Terra, Vicky Valentine

6 comentários:
Tive uma impressão do velho dando em cima da Agatha, que coisa
bjs
^Crime segundo algum artigo no Código Penal
esse povo da psicologia só vê maldade nas coisas nd a ver isso
qndo a Agatha volta pra ksa?
esse povo das HUMANAS só vê maldade nas coisas TENSO
Qndo a Agatha volta pra ksa? [2]
Fiquei triste com a história agora Ç_Ç
Lembrando que a autora do blog é Humanas hein?
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