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Louca/Estranha/Anormal/Distante/Fria/Egocêntrica E muitas outras mais... Autora de Angelus, Tokyo Revivers e A Cor da Lágrima, codinome: Horigome Namika

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Cap. 11 Ursupando Poder

     O odor putrefato da madeira em decomposição misturado ao cheiro do pescado nos compartimentos conferia àquele ambiente restrito ainda mais sensação de indignidade. As duas garotas eram mais duas das várias pessoas que pagaram vinte moedas de prata cada uma para entrar clandestinamente no Império do Fogo. A água era escassa e comida, quando os viajantes não levavam a sua, eram forçados a pagar um preço exorbitante por um prato de mingau insosso ou um pedaço de pão velho. 
     - Pagamos quarenta pratas por isso? - reclamava Lena, sem parar durante aquela viagem que já ultrapassava as vinte e quatro horas. 
    Agatha preferia concentrar seus esforços escrevendo com uma caneta cor de cobre sua fina caligrafia num diário. Dizia ela a Lena que gostaria de registrar toda sua aventura.
    Mas num momento, um risco manchou sua letra. O navio, começou a balançar fulgazmente enquanto gritos de ordem eram ouvidos pelos passageiros clandestinos. Goteiras de água salgada misturada com a água doce da chuva caíam por sobre eles. As crianças se abraçaram com as mães e estas por sua vez acalentavam os filhos e arregalavam os olhos.
     Um marinheiro alto, forte e com a pele tostada pelo sol apreceu e com a voz autoritária recolheu todos os pertences dos passageiros.
    - Ei, espera aí - protestou Lena - Vocês não têm o direito de pegar as nossas coisas!
    - Se não esvaziarmos o navio, vamos morrer afogados!
    - Então deveriam esvaziar coisas inúteis!
    - Escuta aqui, dona! A senhora veio porque quis! Se acha arriscado, por que não viajou como as outras pessoas?? Vamos, me dê sua bagagem.
    Lena balançou os ombros negativamente. Na verdade, suas coisas estavam na bolsa de Agatha, que ela prudentemente escondeu atrás das costas, onde o marinheiro não poderia ver.
    
    Quando a tempestade passou, Lena acordara Agatha com um cutucão: haviam chegado. Agatha saiu do barco sonolenta rumo ao cais pobre. A madeira parecia ainda mais podre que a do navio, e rangia sob os pés das duas. 
    O que viu foi uma feira pobre, na certa formada por produtos contrabandeados, navios pequenos descarregando e o mesmo marinheiro do dia anterior entregando uma pequena saca de moedas de prata a um fiscal. 
    - Não olhe - recomendou Lena - Continue andando.
    As duas continuaram a caminhar até chegar numa espécie de estábulo. Lena entregou a um condutor uma moeda de prata e subiram numa charrete puxada por um estranho animal, do tamanho de um cavalo, mas coberto por escamas verdes, como um lagarto.
    - O que é isso? - perguntou a princesa.
    - Equidilianos. Um tipo de quimera. - respondeu Lena - Pensei em economizar mais um pouco. Podemos comer quando chegarmos lá, o que acha?
     Mas Agatha não prestou muita atenção. Olhava pela carroça a paisagem do Império do Fogo. No horizonte, vários montes formavam uma formação essencialmente cinza, como o chumbo.
     - O que é aquilo ali?
     - A Planície do Fogo. - respondeu Lena - Já li que lá tem mais de cem vulcões, a maioria ativo.
     - Se são ativos, por que as pessoas moram lá?
    - O Império do Fogo não os considera exatamente pessoas... Eles mandam pra lá imigrantes e pessoas pobres. E o pior é que eles nem conseguem se rebelar! O Imperador mandou construir a Vila Militar ao redor da Planície só pra coibir quaisquer manifestações...

    Três dias se passaram até que as viajantes chegaram a seu destino final. Era uma grande vila com casas suburbanas e elegantes. Essas casas variavam por rua sendo mais ou menos luxuosas mas todas muito confortáveis. 
    - Essas casas devem ser as dos tenentes, a patente oficial mais baixa. Se minha irmã se casou mesmo com esse homem, deve morar nessa rua.
     - E se ele foi promovido?
  Lena deu de ombros. Não havia pensado em tal possibilidade.
     - Por que simplesmente não perguntamos?
     Lena se preparou para pegar a amiga pelos ombros e lhe falar que aquilo era uma péssima ideia. Mas quando deu por si, a menina já havia se adiantado à casa mais próxima e batido na porta. 
     Foi atendida por uma velha baixa, gorda e desarrumada. Trajava apenas chinelos de pelúcia cor de rosa e uma rendinha no cabelo repleto de bobs. Parecia estar com sono pois nem olhou para Agatha.
      - Não vou comprar nada! - resmungou a velha, já fechando a porta. Só foi impedida pelo pé de Agatha que insistiu.
    - Por favor, senhora! 
    A velha olhou para o rosto de Agatha e como se tivesse visto uma coisa de outro mundo, arregalou os olhos. 
    - Cabelo Vermelho?
    Sua atitude mudara completamente. Acordou num instante e puxou a moça para dentro da casa.
   - Não repare a bagunça! Sente-se por favor! Eu não acredito! Uma parenta direta do Imperador em minha casa!
   Agatha abriu os braços para Lena, ainda do lado de fora, e as duas se entreolhavam estupefatas. Lena decidiu entrar e as duas se sentaram num confortável sofá de couro branco sintético. A anfitriã voltava da cozinha depois de bater levemente na empregada, uma mocinha miudinha.
   - Pedi um chá com biscoitos para a senhorita! Acredito que esteja com fome!
   A mulher adivinhara. De fato, Lena e Agatha não comiam decentemente há dias. 
   - O que a traz aqui? Já sei! Alfred recebeu uma promoção? Eu sabia, sabia que um dia o Imperador reconheceria o esforço do meu Alfred, que tem se mostrador tão leal ao nosso Império...
  - Na verdade, não minha senhora! Estamos procurando informações sobre uma pessoa, uma jovem estrangeira...
   - Então a senhorita é do Ministério da Imigração!?! Graças aos deuses que minhas cartas foram respondidas! Aquela mulher, do Reino da Água, uma depravada! Acredita que o marido, que hoje é capitão, um ótimo partido, sabe, a conheceu num prostíbulo! Isso mesmo, uma prostituta, uma mulher que vende seu corpo!
   - Um absurdo hein? - disse Lena, sarcasticamente - Uma mulher imoral no meio de tantas senhoras distintas!
   - É isso que eu acho, mocinha! Já escrevi inúmeras cartas pra tirarem essa mulher daqui! Uma prostituta, francamente, esses soldados, ainda bem que meu Alfred não se envolve com essa laia.
    - E a senhora sabe qual é a casa dessa moça?
    - Na Rua de Cima, a Rua dos Capitães, na casa azul, não tem erro, é a única da rua!
    - Bem, obrigada! - despediu-se Lena sorrindo falsamente - A senhora é uma cidadã exemplo dessa comunidade!
    As duas saíram polidamente da casa. A velha ainda ficou se vangloriando quando a empregada chegara com o chá.
    - Esperem, esperem! O chá!

   - Meu Deus! - desabafou Lena - Ela é um pesadelo! É claro que o marido tem meia dúzia de amantes, quem ia querer uma matraca como ela?
   - Deu pra ver que a sua irmã é bem popular por aqui, hein?
   Conforme a mulher disse, só havia uma casa azul naquela rua. Tinha dois pavimentos e um bonito jardim no lado de fora. Não era absurdamente grande, como as casas das ruas acima, mas mesmo assim, oferecia um grande conforto.
     As meninas bateram palmas em frente ao portão de ferro. 
   - Vocês tão atrás da mamãe? - disse um menininho de uns cinco anos, brincando com uma bola.
    Uma sombra apareceu por entre as persianas. Lena viu de relance uma imagem familiar. A sombra apenas pediu ao menino que entrasse antes de fechar a persiana. Quando Lena já adquirira um semblante frustrado, a porta se abriu. De dentro saiu uma mulher de vestido de renda branca e coque no cabelo. Tinha mais ou menos trinta anos e embora mais velha, inconfudivelmente era a irmã procurada.
    
    Em condições normais já teria retornado para o Palácio Imperial, mas queria dar tempo ao tempo e esperar que a derrota nas Geleiras não afetasse tanto o pai. Decidiu voltar apenas quando ficou insustentável não aparecer no Palácio, isso lhe dava a sensação de estar se escondendo do Imperador.
    Aquele definitivamente era o maior Palácio do mundo. Seu tamanho e luxo traduziam a qualquer visitante uma mensagem subliminar do Imperador do Fogo, a de que seu governo era sólido, firme, luxuoso, imponente e amedrontador. Amedrontador sim, seu tamanho significa aquilo até mesmo para Oliver Gardner, que se julgava valente.
    Entrou dentro do Palácio adornado com várias estátuas de ouro estrangeiro. No fundo, precedido por um comprimento notável, um trono que atingia o teto, adornado de vermelho e ouro, delimitado apenas por um grande dragão, em ouro maciço, que mirava o Imperador como se estivesse o adulando.
    Oliver se aproximou a ligeiros passos pelo mármore escuro. A cada dez passos, tinha um degrau e assim sucessivamente. Oliver se adiantou até ficar a dez passos do pai.
    Em frente ao trono, Oliver ajoelhou-se em uma almofada de veludo vinho. Abaixou a cabeça e apenas ouviu o pai falar.
     - Levante a cabeça, Oliver! 
    O Príncipe atendeu ao pedido prontamente. Os olhos do pai pareciam frios, como sempre.
    - O que aconteceu?
    - Os soldados do Reino Suspenso do Ar aparecerão de repente. Estavam em vantagem numérica e...
    - E por acaso, você tem alguma ideia do porquê disso?
    Oliver balançou a cabeça negativamente. 
    -Você sabe sim Oliver, eu sei que sabe. Se não soubesse, não teria jogado a Princesa do Reino Suspenso do Ar pelos céus.
    - Meu pai, eu...
    - Sim, Oliver, ela não é herdeira legítima do Trono do Ar... Ela tem o dom do Fogo, cabelos vermelhos... Ela voltou simplesmente para roubar o seu trono, como os pais dela tentaram fazer há quase vinte anos.
    Oliver levantou uma sobrancelha.
    - Tive que matá-los sim, Oliver. Do contrário, meu irmão e a esposa roubariam meu trono, o qual tenho direito. Fui misericordioso demais e deixei a criança viver... o resultado está aí agora.
    - Se é o seu desejo e para o bem do nosso Império... Eu a acharei e a matarei... Essa ursupadora de poder!

3 comentários:

Gui disse...

♫ Entrei de gaiato no navio entrei entrei entrei pelo cano ♫

Tammy disse...

Hmm...
Então é guerra em família (666)

Doug disse...

WARRRRRRRRRRRRRR