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Louca/Estranha/Anormal/Distante/Fria/Egocêntrica E muitas outras mais... Autora de Angelus, Tokyo Revivers e A Cor da Lágrima, codinome: Horigome Namika

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Cap. 1 Caminho do Sol

           Se sua vida pudesse se resumir a duas palavras, essas palavras seriam: humilhação e fé.
          Humilhação. Essa era a palavra de sua vida desde a morte dos pais, no ano da Grande Peste, até aquele exato momento. Acordava todos os dias antes do Sol, calçava a sandália de couro trançado e vestia as roupas maltrapilhas e encardidas que possuía. Encardidas não por indolência sua, mas porque já as ganhara assim. Desde que ficara órfã, aos sete anos, trabalhava em casas de família recebendo em troca do árduo trabalho, roupas velhas das criadas, um prato de comida que nem os porcos comiam ou, quando muito, uma moeda de bronze. 
           Não negava que já lhe ocorrera em roubar ou prostituir seu corpo, tal como várias mocinhas de sua idade faziam. Homens dispostos a pagar uma boa quantia por uma noite com ela não faltariam, ela nunca mais seria humilhada. Mas, passavam cinco segundos, e ela sentia nojo de si mesma por tal pensamento.
           Fé. Essa era a palavra que mais se dedicava a pensar, era a esperança de mudança em sua vida. Ela acreditava nos deuses e mesmo que eles tivessem levado seus pais, ela esperava que um dia encontraria a felicidade.
          E, enquanto esse dia não chegava, ela caminhava por entre o capim-gordura com uma gigantesca trouxa de roupa na cabeça. 
          Lavava as roupas às margens daquele riacho de água extremamente límpida e fresca. Costumava ficar sozinha, mas ultimamente não era assim.
          - Não me assustas mais - disse, ao ver o mesmo jovem que todos os dias tomava banho naquele riacho.
         - Então devo mudar de brincadeira! - concluiu ele. Era alto e louro, de pele em tom dourado e olhos extremamente claros. - Tu não ficas mais assustada!
          - Vens aqui neste riacho há seis meses e nunca dizes o nome! - observou a garota - Eu já me apresentei a ti, por isso seria cortês de tua parte apresentar-te a mim.
        - Nunca te apresentares a mim! - corrigiu o jovem - Eu arranquei-lhe o nome!


         Há alguns meses, ela estava ali, naquele riacho, e ele tomando seu banho matinal.
        - Já que te recusas a dizer teu nome - reclamou o rapaz - Eu lhe darei um! Deixe-me ver... Tu tens jeito de...Hum... Luna!
       - Luna?!?! - estranhou a garota - Como uma pessoa pode ter jeito de um nome?
       - Ora! Luna lembra lua, lua lembra devaneio, devaneio lembra...
       - Acaso estás dizendo que eu... Que eu... tenho jeito de pessoa... - estava tão sem palavras que não conseguia completar.
      - Sonhadora, nas nuvens, cabecinha de borboleta! - completou.
      - És muito atrevido! - ralhou - Pois saiba que meu nome é Luz, Luz que lembra sabedoria.

       - Sabes por que és uma cabecinha de borboleta? Porque até hoje não notastes o meu interesse em ti.
       Luz ficou perplexa. Ele não seria o primeiro homem a se interessar pelo seu corpo, que para ela era sagrado, templo dos deuses.
        - Meu corpo é sagrado! Só o entregarei aos deuses ou ao meu prometido!
        - Prometido? Nunca falastes que era noiva!
        - Há muito tempo fiz uma promessa aos deuses, e pedi que um dia, um homem de bem fosse mandado por Eles para me salvar. Me tirar dessa miséria e dessa vida que levo!
        - Enviado dos deuses? - debochou o rapaz - Acreditas mesmo nesses deuses, sobretudo depois de todo o sofrimento que passastes por causa da vontade Deles?
        - Não profane o nome dos Deuses! - censurou Luz - Tudo o que ocorre em nossas vidas é da vontade dos deuses! E se essa foi a provação que os deuses incumbiram a mim, então que seja cumprida a vontade Deles!
       - Tu és uma tola! Os deuses jamais abrirão mão de uma mortal tão bela como ti. A verdade é que os deuses tem inveja de nós e sabes o porquê?
       Luz balançou a cabeça negativamente.
       - Porque humanos morrem! Não sabem se estarão vivos daqui a um ano, um mês, uma semana! A vida é única e não estarão aqui novamente!
       - Tu que és um tolo! - ralhou Luz, levantando-se irritada - Não sabes absolutamente nada sobre os deuses e ainda profana Seus nomes!
       Mas, assim que ela levantou, o rapaz lhe segurou o braço.
        - Deixe-me em paz! 
        - Eu sei que tu me amas! Então porque não ignoras esse enviado divino e ficas comigo?
        - Não posso me entregar a um homem que sequer sei o nome!


        A Deusa Lua recebia presentes há muitos meses, os quais ela fazia questão de conferir. Porém, nem aquela montanha de presentes oferecidas pelos humanos desesperados com a perduração das chuvas outonais mesmo em pleno verão faziam aquela bela deusa feliz. Era ambiciosa e queria sempre mais  e mais, embora quem ela queria não estava ali e provavelmente nunca estaria se ela não fizesse algo, e rápido.
        - Mestra! - anunciou-se uma de suas servas, as ninfas lunares - Conseguimos!
        A ninfa estendeu em suas mãos pequeninas uma pequena esfera de cristal. A Deusa a pegou com severidade e mirou com seus olhos agudos a cena que se passava dentro daquela esfera.
       Viu um jovem de pele e cabelos dourados acariciando a barriga de uma gestante. Aquela cena lhe causou tal repugnância, que ela atirou a esfera em uma das paredes de seu palácio. A Deusa se descontrolou e começou a atirar e a quebrar as oferendas trazidas pelos humanos. 
         As ninfas controlaram o momento de ódio de sua mestra, e ela, já calma, arrumando seus longos e belos cabelos azul-escuros, levantou-se como uma dama. 
        - Vamos à Morada dos Deuses! Papai precisa saber disso!

3 comentários:

Gui disse...

huhhahuahua
ela é louca
te amo!

Tammy disse...

Senti uma coisa meio Hera nela .__.
Aposto que o safadinho com a gestante era o Sol ;)

Doug disse...

Aposto que o safadinho com a gestante era o Sol ;)[2]

Maninha, não sabia q escrevia tão bem *_*